Dornelles afirma que mínimo vai ter reajuste 'irrelevante'
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, afirmou ontem que qualquer aumento do salário mínimo, em maio, terá impacto irrelevante para o bolso do trabalhador brasileiro, mas poderá representar um furo nos cofres da Previdência. Dornelles defende que seria mais eficaz investir na qualificação profissional ao invés de se conceder um simples reajuste salarial. O ministro esteve em Curitiba para participar do 49º Fórum Nacional de Secretários do Trabalho, encontro que reúne 25 secretários e vai até hoje, no hotel Bourbon.
Dornelles fez questão de enfatizar que não deu declarações contrárias ao aumento nominal do salário mínimo, mas apenas mostrou as desvantagens de se reajustar o mínimo aos deputados federais da Comissão de Trabalho da Câmara. Um reajuste pode representar aumento das taxas de desemprego no Nordeste, onde está a maior concentração de trabalhadores que recebem o salário mínimo, afirmou o ministro do Trabalho. Por tradição, o anúncio do reajuste do salário é feito sempre no dia 1º de Maio, Dia do Trabalho.
Pelos cálculos do ministro, de uma força de trabalho formada por 70 milhões de trabalhadores, apenas 2,8 milhões sobrevivem com os R$ 130 do salário mínimo. Há ainda 12 milhões de aposentados que também recebem o mínimo. É nos números apresentados pela Previdência que está a barreira para se fazer o reajuste. Dornelles disse que cada real anexado ao salário mínimo representará uma despesa extra de R$ 12 milhões para a Previdência.
SindicatosNa visita que fez a Curitiba, Dornelles aproveitou para se reunir com as centrais sindicais, na sede da Delegacia Regional do Trabalho. Ele apresentou os planos do Ministério para os Estados e defendeu a necessidade de reforçar os programas de qualificação profissional. Ele disse aos sindicalistas que o País deveria adotar uma política trabalhista diferenciada para as pequenas empresas em relação às grandes.
Este assunto será discutido na próxima segunda-feira em Brasília com as centrais sindicais. Dornelles defendeu o fortalecimento das centrais sindicais. Os sindicatos devem ter maior poder de negociação, disse o ministro.
O ministro declarou ainda que não concorda com a extinção da Justiça do Trabalho, mas defende urgência na redução de custos. A Justiça do Trabalho tem um gasto anual de R$ 3,2 bilhões, sendo que os juízes julgam 2 milhões de ações. Destas ações resultam o pagamento médio de R$ 600 para os trabalhadores. Seria mais barato se a União, simplesmente, distribuísse o orçamento da Justiça do Trabalho para quem entra com ações, comparou Dornelles.Mauro FrassonÁrea críticaFrancisco Dornelles ontem em Curitiba, durante Fórum que reúne 25 secretários do TrabalhoCarmem Murara





