Dornelles aceita pagar FGTS taxando empresa
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terça-feira, 13 de março de 2001
Agência Folha De Brasília 
Apesar dos protestos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o governo considerou que houve avanços no acordo para o pagamento do expurgo da correção das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), relativo aos planos Verão e Collor. O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, reuniu-se ontem com representantes dos trabalhadores e disse que a preferência deles é pela criação de uma contribuição adicional de 1 ponto porcentual sobre a folha de salários (que passaria dos atuais 8% para 9%) e mais 10 pontos porcentuais de contribuição social incidente sobre o valor da multa rescisória (que iria de 40% para 50%). Estas duas fontes de recursos poderão somar, ao longo de sete anos, R$ 30 bilhões.
Já está na hora de bater o martelo, declarou, ao final da reunião, o ministro do Trabalho. Como faltam R$ 10 bilhões para fechar a conta, Dornelles marcou para terça-feira nova reunião com os representantes das quatro centrais de trabalhadores. O ministro comunicou que, por iniciativa dos empresários, a reunião prevista para hoje está adiada também para a próxima semana.
O ministro do Trabalho quer ter um acordo até lá. Espero que os trabalhadores me indiquem a fonte de recursos para o que está faltando, disse. O ministro argumentou que poderá, inclusive, levar a proposta final para o presidente da República, caso ela fuja à sua alçada. Esperava que chegássemos ao entendimento hoje, afirmou o ministro, durante o encontro.
O ministro não abriu mão da carência de três anos para o pagamento do expurgo para os trabalhadores que têm mais de R$ 1 mil para receber. Para os 54 milhões que têm até R$ 1 mil para receber, e que são cerca de 92% do universo total, Dornelles garantiu que é possível o pagamento em 14 ou 15 meses, ou seja, início do segundo semestre do próximo ano, período bem próximo das eleições presidenciais.
Sobre o fato de os empresários serem os únicos a serem chamados a pagar a conta até agora, Dornelles foi mais uma vez político. Em nenhum momento afirmou que o governo baixará as medidas necessárias para a cobrança. Os empresários brasileiros são homens de elevado espírito público, comentou o ministro. Ele também disse que as novas contribuições na verdade uma elevação da multa de 40% para 50% disfarçada de contribuição social, para fugir da necessidade de uma emenda constitucional, e um adicional de 1 ponto porcentual sobre a folha de salários passam a vigorar pelo menor prazo possível, apenas o suficiente para o governo pagar a conta.
O presidente da CUT, João Felício, saiu da reunião dizendo que espera que no próximo encontro o governo entre com sua parte. Não acredito que os empresários aceitem pagar a dívida do governo, afirmou. Nós também não aceitamos que qualquer parcela da conta recaia sobre os trabalhadores, declarou. Mesmo sem um acordo fechado,o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, disse que a reunião representou um avanço.


