Dor de cabeça generalizada
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de fevereiro de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

A venda de medicamentos genéricos tem puxado o bom desempenho do setor farmacêutico em 2016. De acordo com a Associação Brasileira de Farmácias (Abrafarma), entre janeiro e novembro do ano passado o faturamento total das 27 redes associadas somou R$ 35,86 bilhões. Esse tipo de medicamento foi responsável por 14,03% das vendas.
No Paraná, as vendas gerais apresentaram um crescimento de 4,06%, segundo a pesquisa conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio PR). Mas o setor está preocupado com uma retração nas vendas após a veiculação de uma reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, no último domingo, questionando a qualidade dos genéricos.
"No dia seguinte à reportagem, muitas pessoas vieram à farmácia com dúvidas. Gerou muita insegurança no consumidor. Mais do que nunca percebe-se a importância de se ter um farmacêutico na loja", afirmou o farmacêutico Bruno Dias, gestor de relacionamento com cliente da Vale Verde.
Na reportagem, o "Fantástico" testou três tipos de medicamentos genéricos de oito marcas e quatro foram reprovadas. A Anvisa e a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (ProGenéricos) questionaram o resultado. Em nota, a ProGenérico afirmou que "a reportagem traz dados equivocados e comete erros de análise" e que os "medicamentos avaliados estão em plena conformidade com os padrões de registro aceitos pela Anvisa e não apresentam qualquer problema de qualidade ou eficácia."
A Anvisa informou que as indústrias reprovadas refizeram os testes em laboratório credenciados pelo órgão e os resultados estão dentro da normalidade.
"O que chamou a atenção é que não foi ouvido nenhum profissional farmacêutico ou químico. São esses profissionais que têm atribuição técnica para falar sobre a qualidade do medicamento", afirmou Dias. A orientação dele, em caso de dúvida do consumidor, é consultar o farmacêutico na hora da compra.
LEGISLAÇÃO
A venda de medicamentos genéricos é autorizada pela lei 9.787/99. A legislação determina que o remédio tenha a composição e o mesmo efeito terapêutico dos de marca. A venda é feita pelo nome do princípio ativo. A lei também autoriza tanto o médico quanto o farmacêutico a fazerem a troca do medicamento original pelo genérico. Desde o início do programa, em 2006, o número de medicamentos ofertados cresceu de oito para 25 itens.
Em média, os genéricos são 35% mais baratos que os medicamentos de marca. A indústria de genéricos fechou os 12 meses móveis encerrados em outubro de 2016 com crescimento de 12,21% no volume de vendas em comparação à igual período do ano anterior.
No total, foram comercializadas 1,071 bilhão de unidades de medicamentos contra 955,1 milhões no mesmo intervalo de 2015. As informações fazem parte do levantamento feito pela PróGenéricos, com base nos indicadores do IMS Health, instituto que audita o varejo farmacêutico no Brasil e no mundo.
"Com 12,21% de expansão, os genéricos cresceram 7,28% pontos percentuais acima do mercado total, o que ratifica a importância do segmento para a indústria farmacêutica como um todo no país", diz Telma Salles, presidente da ProGenérico.
Em valores, os genéricos também registraram expansão. Já considerando os descontos concedidos ao varejo, o setor movimentou R$ 6.221 bilhões nos 12 meses móveis finalizados em outubro, superando em 9,01% os R$ 5.707 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.
Na rede Vale Verde, a venda de genéricos corresponde a 30% do volume de medicamentos comercializados e 20% das vendas em geral. Nos últimos três amos, a rede vem contabilizando um crescimento de 20% anual nas vendas desse tipo de remédio.


