Donos do próprio banco
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma alternativa para não utilizar os serviços de bancos convencionais e, de quebra, ainda pagar taxas mais baratas que a média de mercado. Este foi um dos objetivos para criar a Cooperativa de Crédito Mútuo dos Policiais Federais e Servidores da União (Federalcred Sul). A cooperativa começou a funcionar em julho do ano passado e já conta com 320 associados do Paraná e Santa Catarina entre policiais federais, policiais rodoviários federais, servidores do Ministério da Fazenda, da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho.
O sistema atua em 11 estados e atende exclusivamente os servidores da União. A filiada que tem sede em Curitiba agora é um braço da cooperativa no Sul do País. Os associados têm acesso a vários tipos de serviços bancários como cheque especial, cartão de crédito, empréstimos, seguros, conta corrente, investimentos, entre outros.
Para que a criação da cooperativa fosse aprovada pelo Banco Central era necessário ter no mínimo 20 associados. A Federalcred Sul foi criada com 25 pessoas. Cada uma delas aportou R$ 500 na cooperativa com o objetivo de lastrear as futuras operações da instituição. Até a inauguração, o número de associados fundadores já chegava a 253. Por investir capital na cooperativa, o associado tem direito a voz e voto nas assembleias.
A regra básica é que o servidor público que faz parte da cooperativa aplique 1,5% do próprio salário por mês na cooperativa. O associado pode sair da instituição depois de um prazo de 15 anos e, ao fazer isso, tem direito a restituição de todo o capital que aplicou corrigidos pela Selic (taxa básica de juros da economia).
O diretor geral da Federalcred Sul, Jorge Claudio Gomes Wolf, disse que é como se cada ''associado fosse dono do próprio banco'' e não apenas um cliente. Além disso, os associados recebem um atendimento diferenciado em relação a um simples correntista dos bancos comerciais.
Segundo Wolf, a cooperativa não objetiva lucro, mas apenas cobrir os custos operacionais. O recurso que sobra volta para os associados. Cada participante da Federalcred tem uma conta capital na qual é depositado o percentual de 1,5% do salário mais o capital inicial, que hoje está em R$ 200.
O associado também pode ter uma conta corrente que não tem tarifa de manutenção para quem recebe o salário pela cooperativa. O associado que não usa a conta para receber o salário paga uma tarifa mensal de R$ 9,00.
Também é possível obter uma conta investimento e aplicar em Recibo de Depósito Cooperativo (RDC) que tem correção com base no Certificado de Depósito Interbancário (CDI) de longo prazo pós fixado em até 721 dias e que paga 100% do CDI. O CDI de curto prazo pós fixado é de 30 a 721 dias e paga 100% do CDI.
O policial federal aposentado Hélio Augusto Muniz Winhaski é asssociado da Federalcred Sul desde a criação da instituição. Para ele, a principal vantagem é ter taxas mais baixas. ''Eu tinha conta em três bancos. Acabei com tudo e fiquei só com a cooperativa. Ter muitas contas é só prejuízo, são muitas taxas'', disse. Ele utiliza serviços da cooperativa como cartão de crédito, empréstimo e pagamento de contas. ''Não enfrento fila. Do dia 1º ao dia 10, os bancos são intransitáveis'', concluiu.


