Donos de telefones querem parte dos lucros da Sercomtel
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terça-feira, 03 de janeiro de 2012
Eli Araujo <br>Reportagem Local 
Londrina - Os antigos donos de telefones da Sercomtel, em Londrina, terão que esperar um pouco mais para que sejam admitidos como novos acionistas da empresa. É que o problema, que tinha seu desfecho previsto para 2010, chegou ao fim de 2011 sem definição e começa 2012 sem uma perspectiva clara do que vai acontecer.
Os futuros acionistas estão na expectativa e, enquanto a solução não aparece, eles fazem as contas sobre quanto valeria cada linha atualmente e acrescentam um item novo ao pedido, o direito de participação nos lucros. A linha telefônica em Londrina custava em torno de R$ 1.500 na década de 1990, antes que perdessem o valor comercial, e hoje estaria avaliada em R$ 2.500, de acordo com estimativas do advogado Ronaldo Gomes Neves, o primeiro a reivindicar na Justiça o direito de centenas de proprietários de telefones, há dez anos.
Para o advogado, a correção dos valores não é mais suficiente para os antigos proprietários. Neves propõe que eles tenham participação nos lucros desde que a empresa deixou de ser uma autarquia municipal e se transformou em sociedade anônima. ''Tem que se pensar na rentabilidade e na distribuição desses lucros aos proprietários. Acho que esse detalhe vai ouriçar o pessoal, mas acredito em uma boa negociação com o município'', afirma o advogado. Neves disse que não tem noção do valor que seria acrescido em casa linha telefônica com a soma dos dividendos no período, uma vez que haveria necessidade de cálculos detalhados para se chegar a essa conclusão.
O advogado acredita que a inclusão dos proprietários de telefones como acionistas da empresa seria a correção do que define como ''injustiça''. Segundo ele, foram os antigos compradores das linhas telefônicas que viabilizaram a Sercomtel como empreendimento e não o município, que hoje é o maior acionista. ''Tecnicamente sempre entendi e continuo entendendo que o município de Londrina nunca teve direito a nenhuma ação da Sercomtel na razão direta de que ele não colocou nenhum centavo lá'', justifica Neves, lembrando que os primeiros donos de telefones compraram seus terminais no regime de ''autofinanciamento''.
Ainda segundo ele, o fato da Copel ter participação de 45% na empresa não vai implicar em nenhuma mudança legal na sociedade porque as ações dos proprietários de telefones não terão direito a voto.
Na falta de uma solução para o impasse, Neves sugere que todas as partes envolvidas se reúnam para conversar sobre o assunto e chegar a um acordo ''amigável''. ''Nada impede que possamos fazer um grande encontro com as entidades vivas da cidade para estabelecermos um ponto comum dessa avaliação'', afirma. Entre as entidades, ele cita a Associação dos Proprietários de Terminais Telefônicos de Londrina (Aprotel) e Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
A decisão sobre a inclusão dos novos acionistas deve beneficiar cerca de 69 mil dos mais de 160 mil assinantes da Sercomtel. Os contemplados serão as pessoas que compraram telefones no sistema de autofinanciamento entre 1989 e 1996. A partir deste período, o telefone perdeu o valor comercial. Em função do excesso de oferta, o usuário passou a pagar apenas pela assinatura básica e o consumo mensal para ter o direito à disposição.


