Marcos BorgesFim de impasseBelinati, Abílio Medeiros e Otávio Cezario Pereira Junior, presidente da Associação: acordo fechadoFoi dado ontem o primeiro grande passo para que a Sercomtel S/A Telecomunicações seja, enfim, uma empresa de capital aberto, com registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Para desatar o nó que impede a venda de ações e até o crescimento da empresa, reuniram-se na Associação Comercial e Industrial de Londrina, representantes da Prefeitura, da Câmara de Vereadores, da Sercomtel e dos proprietários de linhas telefônicas - autores de uma ação popular que desde novembro de 1996 ‘‘trava’’ a expansão da empresa.
A reunião, que já começou em clima de consenso, ficou parecendo mais um simples acerto de contas depois que o prefeito Antonio Belinati falou da intenção de transformar os proprietários de linhas em acionistas da Sercomtel. ‘‘Estamos fazendo tudo com a maior clareza’’, disse ele. ‘‘Agora precisamos definir um percentual de ações para cada um deles’’. O próximo passo será a criação de um grupo de trabalho para que tudo seja colocado em prática o mais rápido possível.
O problema em torno da empresa tem uma outra dimensão, hoje. O advogado Ronaldo Neves explicou que a ação questiona o modelo de privatização do Sercomtel proposto na administração anterior e principalmente os preços das ações que seriam colocadas à venda. ‘‘Eram preços defasados’’, observou Neves, administrador da ação. ‘‘A avaliação da Sercomtel foi irreal, e não reconhecia os direitos dos proprietários’’. Foi essa divergência que levou a Justiça a conceder liminar proibindo as vendas de ações, e que fez o Sercomtel recorrer, e perder. Agora, dentro de outra realidade, ‘‘a ação perde o objeto’’ - afirmou o advogado.
Presidente da Associação dos Proprietários da Sercomtel, Otávio Cezario Pereira Junior endossou o comentário do advogado ao dizer que ‘‘o maior interesse é o fortalecimento da Sercomtel, o fortalecimento de Londrina’’. Disse mais: a Sercomtel ‘‘nunca precisará recorrer à Justiça’’ para conviver pacificamente com os cerca de 120 mil proprietários de linhas em Londrina.
O presidente da Câmara, Adalberto Pereira, falou da preocupação da casa, de querer ver logo o fim do impasse para que ‘‘Londrina não perca o bonde da história’’. A ação popular está amarrando a empresa, insistiu - ‘‘ela já perdeu a oportunidade de fazer parceria com uma grande operadora nacional por causa disso’’.
Rubens Pavan, presidente da Sercomtel, não só admite o prejuízo - ‘‘foram desperdiçadas várias oportunidades’’ - como alerta para a gravidade do caso: ‘‘Não podemos mais ficar fechados diante de uma economia aberta, e não fazemos nada sem o registro na CVM’’.
Ainda como empresa de capital fechado, a Sercomtel não pode, por exemplo, tocar adiante o projeto do Teleporto ou ousar alguma participação no mercado de tv por assinatura.

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