O procurador da República do Ministério Público Federal em Londrina, Mário Ferreira Leite, vai pedir hoje à Polícia Federal o indiciamento de sete donos de postos de combustíveis do município.
Os empresários deverão prestar depoimento dentro do inquérito já instaurado pela Polícia Federal para apurar práticas de dumping e formação de cartel. O Ministério Público deve fixar prazo de 30 dias para a conclusão desse inquérito. No decorrer das investigações, o procurador disse que poderá pedir também o indiciamento de um oitavo dono de posto do município. O ofício com o pedido de indiciamento foi elaborado ontem pelo Ministério Público Federal.
Os sete proprietários de postos serão indiciados por dumping (venda abaixo do custo), formação de cartel e formação de quadrilha. ''Já temos provas contra eles em relação a esses crimes'', disse Leite. ''Tudo caminha para um futuro pedido de prisão.''
O procurador também solicitará à Polícia Federal para apurar quais os envolvidos na cidade com adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e corrupção passiva. ''Temos fortes indícios de que estejam acontecendo essas práticas em Londrina. A corrupção passiva significa que alguns donos de postos estariam sendo avisados de quando vão ocorrer as fiscalizações da Agência Nacional de Petróleo e inclusive estariam pagando propinas aos fiscais da Agência e do Procon'', explicou Leite. ''Podemos até pedir a quebra de sigilo bancário dos envolvidos.''
Na semana passada, o procurador recebeu o resultado das degravações feitas em duas fitas cassetes pela polícia federal, que foram entregues ao Ministério por um proprietário de posto. ''Nas fitas fica claro que empresários do setor fazem pressão em cima de alguns donos de postos que tentam vender combustível mais barato do que a média praticada na cidade. No conteúdo de uma delas há os indícios de corrupção passiva'', contou Leite.
O Ministério já pediu às receitas Federal e Estadual a abertura de um procedimento fiscal contra os sete donos de postos para apurar o movimento fiscal de suas empresas.
O procurador da República apura as denúncias de formação de cartel em Londrina desde maio deste ano. Os trabalhos foram intensificados há cerca de três semanas, com a tomada de depoimentos de donos de postos, distribuidoras e representantes do Sindicombustíveis e da Arcom.

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