O advogado Paulo Afonso Nolasco entrou com um pedido de providências junto ao Ministério Público de Londrina contra a forma com que, segundo ele, alguns donos de postos são tratados pelas autoridades constituidas, em especial a Promotoria Pública, e parte da imprensa. ''Esses donos de postos estão insatisfeitos porque são tratados como bandidos e não são'', afirma. O pedido não tem nenhuma ligação com a blitz realizada ontem em alguns postos da cidade.
Nolasco apresentou a documentação com planilhas que em seu entender comprovam a necessidade de se praticar os preços dos combustíveis de acordo com o mercado. Segundo parte do pedido de providências: ''Tais documentos comprovam que é impossível se vender tanto o álcool a R$ 0,99 o litro, assim como a gasolina a R$ 2,25, sem que caminhem a passos largos para a bancarrota''.
Segundo o advogado, existem dois grupos distintos entre os empresários do setor, os que agem corretamente e outros ''nem tanto''. ''Tem aqueles que colocam preço artificial, que só é possível com sonegação e por descumprimento da regra de mercado''. Nolasco espera que a partir dos documentos apresentados ontem à tarde, o Ministério Público consiga separar ''o joio do trigo' e não tratar a todos indistintamente''.
O advogado questiona também os conhecimentos contábeis das autoridades que investigam os preços dos combustíveis em Londrina. ''Estou cansado de defender postos do Paraná inteiro que receberam combustível como idôneo, inclusive com carimbo permitindo a entrada do produto no Estado, e depois vem a receita dizer que a nota é fria. Na verdade, eles não sabem fazer uma fiscalização efetiva sobre as notas. A gente tem que juntar todo mundo e explicar como se faz a fiscalização porque a maioria não sabe mesmo. Está tudo errado'', concluiu.
Nolasco apresenta sugestões no pedido de providências, uma delas que seja investigado o momento em que os caminhões são descarregados nos postos.
O pedido de providências foi recebido por uma estagiária no Ministério Público. O promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, que acompanhava a fiscalização em alguns postos naquele momento, disse que vai analisar o documento encaminhado pelo advogado. Ele sai de férias na segunda-feira, por quinze dias, e irá se manifestar sobre o assunto assim que retornar.
Força-tarefa
Ontem de manhã uma força-tarefa formada por representantes do Ministério Público, das Receitas Estadual e Federal, do Núcleo de Repreensão ao Crimes Econômicos (Nurce), Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procon estiveram em alguns postos de combustível em busca das razões do recente aumento de quase 40% no preço do álcool e de 10% na gasolina.
Segundo o coordenador do Procon Marco Cito, os postos foram visitados de forma aleatória. ''Recolhemos documentos e estamos analisando a qualidade dos combustíveis. É uma ação ostensiva que segue junto com a ação extensiva, que é a investigação''. Ao final da operação, apenas um posto foi autuado, por irregularidades em adequações ambientais, e documentos foram apreendidos para averiguação posterior.

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