Donos de postos prevêem forte queda nas vendas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de março de 1999
Carmem Murara 
Os donos de postos de combustível se preparam para enfrentar uma queda nas vendas em decorrência do novo aumento de gasolina e óleo diesel, que deve passar a vigorar a partir do dia 11 deste mês. O percentual, que será repassado para a bomba de combustível, ainda não foi definido, mas a previsão é que fique em torno de 6,5%. Na refinaria, os derivados de petróleo vão aumentar em 11,5%.
Como o reajuste incide sobre os combustíveis antes da tributação, o aumento se reduz pela metade até chegar ao consumidor final. O litro da gasolina custa R$ 0,39 centavos na refinaria e após a inclusão dos impostos e repasses de margens de lucro ele é vendido para a população por até R$ 0,91.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, disse ontem que há uma retração no consumo a cada aumento de preço. No início de janeiro, quando os combustíveis aumentaram de preço por causa do repasse da Cofins, houve uma queda de 20% no consumo.
Em dezembro do ano passado, cada posto curitibano vendeu em média 154 mil litros de combustível, enquanto em fevereiro foram vendidos 130 mil litros. A comparação exclui o mês de janeiro, considerado atípico por causa das férias de verão. As aulas começaram no dia 2 de fevereiro, a cidade ficou novamente movimentada e não tivemos aumento do consumo de combustível, afirmou Fregonese. Ele disse ainda que outro fator preocupante que sempre é verificado quando aumenta o preço do produtos é o crescimento do nível de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.
Fregonese fez também uma comparação. Ele lembrou que o preço histórico do combustível no Brasil era de US$ 0,65. Com o dólar cotado em R$ 1,23, o preço do litro da gasolina aumentou de maneira proporcional, chegando a R$ 0,80. Mas agora, esta relação se tornou inviável. Com o dólar a R$ 2,20, a gasolina teria de ser vendida a R$ 1,43.


