Donos de postos dizem que Arruda comandava o Cartel
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sexta-feira, 28 de março de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Dois donos de postos de combustíveis em Londrina e Cambé denunciaram, em depoimentos prestados ao Promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, pressões e até um atentado para que participassem do ajustamento do preço do litro da gasolina e do álcool com outros postos. O promotor Jorge Barreto da Costa anexou, ontem, os depoimentos à ação que tramita na 5 Vara Criminal.
Emílio Santaella, que tem um posto na Avenida Maringá, disse que participou do esquema porque ''o mercado de Londrina sofre uma combinação de ajuste entre os proprietários (de postos). Somente sucumbiu ao alinhamento de preços depois de apanhar muito devido à ação das grandes distribuidoras''. ''Ele próprio (Santaella) já foi vítima de atentado, primeiramente ocorrido em seu posto no começo do ano de 2000 e em maio de 2001, em sua residência, fato amplamente divulgado pela imprensa, onde seus três carros foram alvejados com tiros (...). Por esse motivo o depoente resolveu não mais deixar de seguir as combinações estipuladas no comércio'', diz parte do depoimento.
Santaella acusa Ariovaldo Arruda de ser o responsável pela articulação dos preços. ''O maior articulador da tabela de preços em Londrina sempre foi o senhor Ariovaldo Ferraz de Arruda, que organizava reuniões com donos de postos, inclusive depois do desmantelamento da Arcom, Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Estado do Paraná, tendo o depoente comparecido a uma reunião convocada por Ariovaldo no Hotel Cedro, onde estiveram presentes cerca de 40 proprietários de postos, tendo Ariovaldo apresentado uma tabela que deveria ser seguida'', relatou.
''Ariovaldo não deixava a tabela com ninguém, mas ditava os preços que cada posto deveria seguir, levando-se em conta inclusive as bandeiras. Que a estratégia usada em tal tabela indicava que cada dia uma bandeira subia os preços aos poucos para despistar e mascarar o aumento conjunto dos postos e consequentemente o ajuste entre eles'', comentou.
Arruda disse desconhecer os fatos narrados por Santaella: ''Tenho total desconhecimento deste fato.''
Luiz Benedito Razaboni, proprietário de um posto de combustível na PR 445, na divisa entre Londrina e Cambé, depôs ao promotor Miguel Sogaiar no dia 20, e também afirmou ter sofrido pressão para aumentar os preços dos combustíveis. ''No dia 19 de novembro de 2002, de madrugada, por volta das 1h30, chegaram dois homens no posto, renderam o vigia e disseram que iriam deixar um recado para o patrão dos vigias, ou seja, o depoente, que se ele não subisse os preços dos combustíveis, iriam mexer com a família do depoente. Tendo na sequência, um dos homens disparado vários tiros de arma de fogo calibre 12 em quatro das seis bombas de combustíveis do posto'', afirmou.
A Folha tentou falar com o promotor Miguel Sogaiar, mas ele não atendeu a reportagem.


