Todos os donos de postos de Londrina devem prestar esclarecimentos sobre os preços praticados para a venda de combustíveis na cidade. Os primeiros empresários foram ouvidos ontem na sede do Ministério Público pelo promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, e pelo coordenador municipal do Procon, Marco Antonio Cito. A imprensa não teve acesso aos depoimentos.
Esta etapa, que consiste na apresentação de documentos para justificativa de preços, deve terminar no final deste mês. ''Estamos em busca de uma resposta para a sociedade e não queremos fazer nenhum pré-julgamento'', disse o coordenador do Procon. Segundo ele, há uma série de detalhes a serem considerados. ''Vamos verificar os motivos das diferenças regionais, a incidência da bandeiragem no valor cobrado, a questão dos impostos, de locação, onde os postos estão localizados etc. Tudo isso tem que ser analisado sem nenhuma precipitação.''
O advogado Antonio Fidélis compareceu à Promotoria de Defesa do Consumidor acompanhado de dois donos de postos. Ele disse que os empresários não têm o que temer, o que esconder e que levaram mais documentos do que os solicitados para comprovação dos preços. ''Estes donos de postos são pessoas honestas, corretas, que trabalham dentro do normal, num sistema de livre concorrência''.
Ele explicou que os donos de postos compram os combustíveis das respectivas distribuidoras e revendem o produto com uma margem de 14% para cobrir as despesas. ''Vivemos em um país capitalista, e ninguém está com a bandeira do Exército da Salvação dentro do posto. O empresário tem que comprar, vender com uma margem para suportar os seus custos e ganhar. É a lei do mercado'', afirmou.
Um dono de posto que prestou depoimento e preferiu não se identificar na conversa com jornalistas, disse apenas que os preços praticados em Londrina ''acompanham o mercado''. Segundo ele, o alvo das investigações deveriam ser os postos da região que vendem os combustíveis a um preço mais em conta. A afirmação foi feita em referência à qualidade do produto vendido nas cidades vizinhas.
O promotor Miguel Sogaiar, que vai ouvir todos os empresários, cerca de 120 no total, preferiu não dar entrevistas após os primeiros depoimentos. Ele disse que poderá se manifestar sobre o assunto no fim de semana. Conversando informalmente, sugeriu apenas que os consumidores façam pesquisa de preços nos postos da periferia da cidade que têm preços inferiores aos postos do centro.
Os valores do litro da gasolina nos postos de Londrina permanecem estáveis, variando entre R$ 2,47 a R$ 2,52; e os preços do litro do álcool de R$ 1,30 a R$ 1,49.

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