Donos de postos de combustíveis lançam cartilha
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicombustíveis-PR está lançando uma cartilha explicativa ao consumidor para que ele aprenda a distinguir os postos que agem com seriedade, daqueles que adulteram combustíveis e sonegam impostos. A intenção é distribuir um milhão de cartilhas nos postos conveniados de todo o Estado, afirmou o presidente do sindicato Roberto Fregonese.
Ontem, Fregonese iniciou a distribuição de 100 mil exemplares da cartilha nos postos de Curitiba. O sindicato está enviando também exemplares para postos do Interior. Cerca de 72% dos 2.400 postos instalados no Estado são conveniados ao Sindicombustíveis. Segundo Fregonese,''os revendedores sérios farão questão de distribuir as cartilhas e os consumidores devem exigi-las'', orientou.
Fregonese disse que os revendedores que atuam com profissionalismo estão cansados de serem ''execrados'' como sonegadores de impostos, enganadores do consumidor com adulteração de combustíveis e de impor cartel nos preços. ''É só isso que sai na mídia'', lamentou.
Outra queixa é que o setor é o único chamado a explicar a alta dos combustíveis. ''Os usineiros aumentaram o preço do álcool e quem teve que explicar o aumento fomos nós. O governo cobra mais de 50% em impostos sobre o preço dos combustíveis e quem tem de explicar somos nós''.
Em resposta à esses ataques, o Sindicombustíveis quer criar uma agenda positiva, em que o setor possa explicar como o consumidor pode se proteger daqueles ''maus revendedores que desvirtuam o mercado''. Fregonese lembrou que no Paraná, os revendedores geram 22 mil empregos diretos, contribuem com R$ 130 milhões em impostos e não compactuam com as ''ilegalidades''.
Na cartilha, o setor defende-se da acusação de cartel formulada pelo Procon e esclarece o consumidor sobre a prática dessa ilegalidade. Segundo Fregonese, a concorrência acirrada entre os postos, muito próximos uns dos outros, provoca a similaridade de preços. Tirando os custos com impostos, com a Petrobras e com as distribuidoras, a margem que sobra é mínima. Daí a diferença entre os postos ser de centavos, explica.
O consumidor Dorival Ferreira, 41, dono de uma fábrica de bolachas gostou da cartilha. Ele desconfia que muitos postos adulteram o combustível porque coloca entre R$ 30,00 e R$ 40,00 diariamente no carro, quantia necessária para percorrer os postos de venda, e a ''gasolina nunca rende''.''Com a cartilha, esse consumidor vai aprender a separar o joio do trigo'', disse Fregonese.


