Donos de postos culpam governo pelo alto preço
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2002
Nicola Pamplona 
Rio Os donos de postos de combustíveis partiram para o contra-ataque e vão tentar convencer os consumidores de que não são os vilões pela queda de apenas cerca de 10% no preço da gasolina, contra os 20% anunciados pelo governo federal. Os postos do Rio já exibiam ontem cartazes intitulados Quem é o vilão de quê?, com uma planilha do preço da gasolina. Os cálculos concluem que os governos federal e estadual ficam com R$ 0,9871 por litro.
O valor corresponde à soma das alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) que inclui PIS/Cofins , de R$ 0,5011, e do ICMS arrecadado pelos Estados, de R$ 0,4860 por litro. A Cide é destinada a um fundo de investimentos em infra-estrutura de transportes do governo federal. O preço médio da gasolina no Rio, segundo a pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP) é de R$ 1,535 por litro.
A Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis) pretende afixar os cartazes em todos os 29 mil postos brasileiros, com os valores de ICMS de cada Estado. Não podemos ser culpados pelo preço da gasolina quando os tributos representam cerca de 60% do preço final, reclamou o diretor financeiro do Sindicato dos Postos Revendedores de Combustíveis do Rio (Sindicomb), Cláudio Cerqueira.
Como parte da ofensiva, a Fecombustíveis enviou também uma carta ao secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, condenando as acusações gratuitas e sensacionalistas feitas nos últimos dias, quando o setor foi acusado de cartel e de aproveitar a liberação dos preços para aumentar as margens.
De fato, a margem da revenda caiu cerca de 3% desde dezembro, segundo o levantamento da ANP. Ameaças através da mídia não é o caminho adequado para um órgão do governo que está em posição de arbitragem, disse em nota o presidente da Fecombustíveis, Gil Siuffo.


