Donos de postos criticam greve dos bancários
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quarta-feira, 22 de setembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os postos de combustíveis de Curitiba e Região Metropolitana começam a sofrer dificuldades por causa do recebimento de cheques que não podem ser compensados na rede bancária. É que os bancários estão em greve na região desde a última sexta-feira. Como os postos giram uma quantidade grande de recursos grande parte através de cheques e duplicatas que precisam ser descontados nos caixas , muitos empresários estão tendo que buscar empresas de factoring que cobram taxas altas de juros para emprestar dinheiro ou trocar as faturas.
Um cheque pré-datado ou uma duplicata podem ser descontados nestas empresas com juros de 2,5% ao mês. Empréstimos podem ter juros mensais de 6% a 12%, dependendo da empresa escolhida.
O proprietário do Posto Rota Sul, Giuseppe Salamune, entrou no limite do cheque especial. Coisa que não fazia há muito tempo, segundo o empresário. Como ele não consegue descontar os cheques e tem que pagar a distribuidora de combustível em dinheiro ou cheque da empresa (nunca de terceiros), ele não teve outra alternativa. ''Donos de postos estão recorrendo a empréstimos com juros altos. O que não pode é deixar de pagar a companhia. Sem combustível, fechamos as portas'', afirmou.
Salamune está fazendo o que pode para não deixar as contas atrasarem. Esta semana ele foi até uma distribuidora para pagar o título que estava vencendo. Como o valor era alto, ele não conseguia liberar a transação nos caixas eletrônicos ou na internet. ''Não estávamos acostumados a ter que operar somente com dinheiro'', reclamou ele.
Como os bancos não podem se recusar a receber cheques que tenham consulta positiva, o problema se intensifica. ''Tenho que receber cheques. Não dá para não receber. A não ser que a consulta seja negativada'', salientou. Durante todo o dia de ontem, bancários percorreram as agências em piquete para que elas permanecessem fechadas. Havia ameaça de interromper também o acesso de clientes aos caixas eletrônicos para tentar forçar uma negociação com o governo federal e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Entretanto, a proposta foi rejeitada ontem. ''Nossa luta é contra os bancos e não contra os clientes'', justificou Marisa Stedile, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana.
A expectativa é de que hoje seja ampliada a greve nas agências de bancos privados. Ontem, 99 agências da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil fecharam as portas na Grande Curitiba. Outras 72 agências de bancos privados também foram lacradas.
Londrina - Os bancários de Londrina fizeram assembléia no final da tarde de ontem e decidiram manter a paralisação. Segundo Geraldo dos Santos, presidente do sindicato da categoria, a adesão ao movimento aumentou para 90% ontem. Segundo Santos, Londrina possui 1.500 bancários. Os outros 25 municípios da base sindical somam 500 profissionais. A estimativa do sindicalista é de que 80% estejam em greve.


