Dono de posto em Londrina sofre atentado
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
O dono do Posto Carajás em Londrina, Emílio Sérgio Santaella, teve a casa e três carros alvejados por tiros de revólver calibre 38 e espingarda calibre 12, na madrugada de ontem. O atentado ocorreu por volta das 4 horas da manhã. Ontem, em entrevista à Folha, o empresário disse que o atentado expõe a guerra de preços de gasolina instalada na cidade. Londrina é o município com os menores preços praticados no País
Santaella não aponta suspeitos pelo atentado. Mas o advogado do posteiro, Paulo Nolasco, adianta não acreditar que esse tipo de atitude tenha partido de empresários do setor da cidade. Santaella afirma que vinha, há tempos, sofrendo pressão dos colegas para que subisse o preço da gasolina, mas nunca foi ameaçado de morte abertamente. Alguns colegas me disseram ter ouvido de outras pessoas que um dia eu poderia ser morto. Apenas isso.
Ele credita o atentado que sofreu à sua atitude de sempre trabalhar de forma independente, sem ceder às pressões das grandes distribuidoras e da própria classe. O setor alega que sou culpado pelo preço da gasolina praticado em Londrina. Estou no ramo há mais de 20 anos e minha proposta sempre foi vender barato. Desde que o Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello) liberou o piso da gasolina, optei por dar descontos, reduzindo minha margem de lucro, enquanto toda a cidade dava prazo para o pagamento, disse. O Posto Carajás, atualmente, é bandeira branca (não tem vínculo exclusivo com nenhuma distribuidora). Busco o preço mais barato, tenho uma estrutura enxuta, sou dono da área onde meu posto está instalado, minha empresa é familiar. Tudo isso me favorece para que eu pratique preços menores, justificou.
O Emílio (Santaella) provocou a ira das grandes distribuidoras, comentou o advogado. Segundo o posteiro e o advogado, as grandes distribuidoras desencadearam uma guerra na cidade visando à desestabilização dos postos bandeira branca. Numa recente reunião realizada no Fórum, os representantes das distribuidoras deixaram claro que estão praticando dumping na cidade. Elas querem fechar os postos bandeira branca e voltar a dominar o mercado, elevando os preços e aumentando a margem de lucro, destacou Nolasco.
TirosSantaella estava dormindo no momento que os tiros foram disparados. Ao acordar, ele viu, de uma janela da casa, um carro saindo em disparada. Segundo relatou, só foi possível ver que se tratava de um veículo de cor branca. O posteiro acredita que três pessoas, no mínimo, participaram do atentado. Os tiros foram disparados simultaneamente e de dois lugares diferentes. Uma pessoa ficou na frente do portão de acesso à garagem e outra disparou de uma grade lateral, em direção à casa. Uma terceira pessoa dirigia o carro.
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado por Bruno Santaela, filho do posteiro, no 3º Distrito Policial de Londrina, o rapaz voltava para casa, localizada no Jardim Araxá, na zona oeste da cidade, por volta das 4 horas da manhã quando percebeu que estava sendo seguido por um veículo de cor branca. Segundo Bruno, depois que ele entrou em casa ouviu vários disparos contra os três carros da família que estavam na garagem e ainda contra a casa. Os dois veículos BMW e o Audi que estavam na garagem foram atingidos por mais de 15 tiros, segundo a perícia do Instituto de Criminalística.
A polícia deve ouvir nos próximos dias a família do empresário para investigar se procede ou não a suspeita de que o atentado tenha sido motivado pela concorência no preço do combustível. (Colaborou Edna Mendes)


