Dono de posto denuncia ameaça
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Cláudia Lopes<br> De Londrina 
O proprietário do Posto Manancial, Ilson Gomes, denunciou ontem à Procuradoria Regional da República que vem sofrendo pressão por parte de empresários do setor para aumentar os preços praticados em seu estabelecimento. O procurador regional da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, disse ontem à Folha que vai encaminhar, na próxima segunda-feira, duas fitas cassetes - entregues pelo empresário - para a Polícia Federal pedindo a degravação e a perícia das mesmas.
As fitas, que conteriam ameaças contra uma distribuidora de combustíveis, comprovariam a pressão que empresários do setor estão fazendo sobre Gomes. Também serão juntadas à ação civil pública, apresentada à Justiça pela Procuradoria há cerca de um mês e que denuncia cerca de 160 donos de postos de Londrina por formação de cartel. Segundo Leite, as fitas são ''indícios maiores'' e devem ser provas importantes na ação civil pública.
''Também devo pedir a abertura de inquérito policial para apurar as denúncias contidas nas fitas, ou juntá-las num inquérito solicitado há três meses à Polícia Federal para comprovar denúncias de adulteração de combustíveis em Londrina'', disse Leite. As fitas foram entregues à Procuradoria ontem à tarde por Gomes. ''Gravei uma reunião realizada na quarta-feira na qual empresários do setor me pressionaram para subir o preço da gasolina de R$ 1,80 para R$ 1,82 e também um telefonena em que um gerente de uma distribuidora disse que não pode entregar combustível para o meu posto por temer pela segurança de seus funcionários.''
No último dia 3, Gomes também enviou, ao Ministério Público Federal, um documento denunciando a conduta praticada pela Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná (Arcom). ''O presidente da Arcom, Ariovaldo Ferraz Arruda, manipula os preços dos combustíveis no município'', acusou. Gomes resolveu entregar as fitas e denunciar o presidente da Arcom, que é dono do Posto Esperança, à Procuradoria por abuso de poder econômico devido a uma promoção feita pelo estabelecimento anteontem, na qual o posto vendeu o litro do álcool por R$ 0,60 (leia nesta página). ''Vendendo o álcool abaixo do custo, o presidente da Arcom quer forçar a rede a aumentar os preços'', disse. ''Como o preço na usina é R$ 0,56 mais 17% de ICMS, se ele estiver conseguindo preço diferenciado, a distribuidora está fazendo dumping.''
Segundo o empresário, o dono do Posto Esperança só fez a promoção porque estaria irritado, já que alguns posteiros da cidade resolveram vender o álcool por R$ 1,01 anteontem - incluindo o Manancial. ''Ele resolveu jogar pesado para ver se a gente voltava atrás. Mas esta ingerência do setor já passou dos limites'', afirmou.
Desde anteontem à noite, o Posto Manancial vende a gasolina por R$ 1,73 e o álcool por R$ 0,98. Por falta de capital, o posto não tinha gasolina há quatro meses. ''Recebi o produto no último dia 12. Estou com uma margem de lucro razoável, de R$ 0,20 na gasolina e de R$ 0,21 no álcool'', completou Gomes. A Folha tentou contatar o empresário Ariovaldo Ferraz Arruda mas, em seu posto, a informação é de que ele estava viajando.


