Dono da Brahma diz que 5 fábricas devem ser fechadas
Agência Estado
De Brasília
O presidente da Brahma, Marcel Telles, disse ontem, durante debate com os deputados da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara, que a AmBev deve fechar cinco pequenas fábricas instaladas no País. Isso é um processo inexorável. Todos nós, Brahma, Antarctica, Skol e Coca-Cola vamos fechar unidades, afirmou. Ele classificou de burro e covarde o parecer da Secretarias de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, que recomenda a venda de uma das cervejarias que comporão a Ambev.
Segundo Telles, o processo de fechamento de fábricas deverá ocorrer pela necessidade de modernização de algumas plantas. No entanto, caso se confirme a previsão de crescimento econômico da ordem de 3% a 4% do PIB projetada para este ano, a partir de 2001 a empresa poderá ampliar o número de fábricas.
Ele negou, no entanto, que as empresas da AmBev devam fechar 8 mil postos de trabalho. Disse que acertou com sindicalistas e o Ministério do Trabalho que qualquer demissão será precedida de discussão com os sindicatos.
O presidente da Brahma classificou de covarde a atitude da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE), que na semana passada divulgou parecer determinando que a AmBev vendesse uma de suas marcas de cerveja (Brahma, Antarctica ou Skol) para que a fusão fosse aprovada. O parecer da SDE é uma desaprovação medrosa, afirmou Telles.
Telles afirmou ainda que a SDE está preferindo desfazer o ato de concentração a ter que fiscalizar a conduta de uma única empresa, e questionou: Se o governo não tem condições de finalizar uma única empresa, que condição terá para acompanhar qualquer caso, como a questão dos medicamentos?.
Ele voltou a insistir que a criação da AmBev fará com que o País tenha a terceira maior cervejaria do mundo e a quinta maior empresa de bebidas do planeta. Ele também afirmou que essa sinergia viabilizará aquisições no Exterior e queda de preço no Brasil. Além disso, argumentou, no mercado de refrigerantes a criação da AmBev vai permitir que o guaraná Antartica possa competir com a Coca-Cola em 175 países.
No debate, a maioria dos deputados reclamou da ausência do secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, que foi convidado a participar de audiência pública, mas não compareceu, alegando outros compromissos. Alguns consultores da Kaiser estiveram no plenário da comissão assistindo o debate. A empresa, no entanto, não foi convidada a participar pela mesa diretora da comissão.
Alguns deputados, como Delfim Netto (PPB-SP) defenderam a fusão. Ele diz que é necessário fortalecer as empresas que sobraram nos últimos cinco anos de uma política econômica devastadora.





