Donas de seus destinos
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Quando decidiu se aposentar, a psicóloga Romilda Aparecida Cordioli Santos, 58 anos, tinha absoluta convicção do que queria: fazer outras coisas, como morar fora do País. E foi. Junto levou a mãe, o marido que também estava aposentado, a filha e a irmã - que levou os três filhos e uma nora. Na Inglaterra, parte da família ficou em Londres e parte foi morar no interior. ''Trabalhei em uma fazenda que produzia flores. Sempre havia sido uma intelectual e naquele momento fiz um trabalho braçal, mas muito gratificante'', recorda.
Professora universitária, Romilda trabalhou na Universidade Estadual de Londrina (UEL) durante 30 anos. ''Eu decidi que queria me aposentar, havia chegado o momento. Era muito claro para mim o que a aposentadoria poderia me proporcionar'', afirma a profissional, que se aposentou há quatro anos por tempo de serviço. Além de lecionar, ela clinicou durante um curto período.
A psicóloga conta que sempre gostou de ser professora, foi muito feliz, fez muitos amigos e quando ''olha'' para seu passado na UEL só tem boas recordações. ''Nunca tive frustrações profissionais. Mas queria fazer outras coisas e ainda com uma idade que pudesse aproveitar tudo isso, com saúde e disposição'', comenta. Assim que se aposentou, Romilda morou na Inglaterra dois anos e voltou algumas vezes nos últimos meses.
Quando retornou ao Brasil não ficou parada. Disposta a conhecer outras pessoas e outras possibilidades, se tornou voluntária. Agora? Está se preparando para ser avó. ''Quando a gente não impede que a vida ofereça as oportunidades, e a vida sempre nos oferece oportunidades, conseguimos entender o sentido de viver e não nos frustramos. Somos donos dos nossos destinos'', diz Romilda aos que estão se preparando para aposentadoria ou simplesmente querem viver melhor a vida.
A psicóloga e também professora universitária Solange Maria Beggiato Mezzaroba, 54 anos, também vive uma aposentadoria feliz, apesar de não ter se preparado para isso. Ela já tinha 30 anos de profissão quando a legislação seria alterada e caso não se aposentasse naquele momento - em 2003 - só poderia fazer isso com 55 anos. ''Achei ótimo, apesar de não ter me programado. A aposentaria nunca teve para mim nenhuma conotação de término de qualquer coisa'', afirma.
Solange conta que, desde então, não descansou nenhum dia. Depois de se aposentar, desligou-se da UEL, foi fazer doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), continuou lecionando em universidades particulares e clinicando. Quando terminou o curso, prestou novamente um concurso na UEL, passou e voltou a dar aulas na universidade.
''Para continuar trabalhando mesmo depois de aposentada, acho que depende do tipo de trabalho que se desenvolve. Hoje, me sinto bem mais preparada para desenvolver minhas atividades como professora do que quando comecei. Falo com mais propriedade e conhecimento'', frisa.


