Curitiba Para tentar frear a alta de preços nos alimentos, os principais responsáveis pela inflação dos últimos meses, um grupo de donas de casa está tentando negociar com supermercados. Com base em uma pesquisa de preços, a Associação das Donas de Casa e Consumidores do Paraná (Ampar), quer até reivindicar um desconto de 20% em 50 itens.
A diretoria da Ampar em Curitiba se reuniu com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) no início da semana, mas não conseguiu negociar nada. Foram marcadas novos encontros para janeiro, depois do período de vendas de fim de ano. De acordo com a presidente da entidade, Vera Lúcia Bartz, está sendo feita uma conversa separada com alguns mercados. ''Muitos não se mostraram dispostos, mas alguns se interessaram pelo projeto, em troca da publicidade que a gente faria sobre as lojas que abaixassem os preços'', relatou.
A intenção da Ampar é realizar uma pesquisa mensal de preços. Nesta semana, algumas associadas e diretoras coletaram alguns preços, que vão balizar as negociações futuras. Segundo Vera, a associação está contando com o apoio do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e do Conselho Regional de Economia (Corecon) para fazer as planilhas e comparar preços.
Os trabalhos da Ampar começaram a se intensificar há aproximadamente um mês. ''Muitas pessoas começaram a nos procurar porque sentiam no bolso o aumento de preços no supermercado'', relatou. Ela disse que a associação foi criada há um ano com o objetivo de batalhar pela aposentadorias das donas de casa, mas logo as associadas viram que tinham que atuar em outras áreas.
A Ampar tem 300 associadas, espalhadas principalmente em Curitiba mas também em municípios que estão criando filiais, como Santa Terezinha do Itaipu, Santa Helena (próximas a Foz do Iguaçu) e Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. ''Elas também estão se articulando com os supermercados'', informou Vera.
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, movimentos como o da Ampar são muito importantes para conter a alta da inflação. ''O grande mérito de um grupo desses é fazer com que haja pressão sobre os supermercados, que negociam com os fornecedores'', afirmou. Para ele, é muito importante a reação da sociedade, para que o repasse de custos não ocorra de forma automática. ''Essa pressão força a negociação para que os supermercados e fornecedores aumentem a produtividade e diminuam a margem de lucro'', acrescentou.

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