A dona de casa Lilian Paula da Silva se enquadra no perfil de jovens que não trabalham, não estudam e não procuram emprego, mas não porque quer. Ela precisou largar o emprego de garçonete em uma grande rede de lanchonetes para cuidar do filho Enzo há dois anos, por falta de vagas em creches que atendam moradores do Residencial Vista Bela, na zona norte de Londrina.
Na pesquisa "Os Nem-Nem-Nem: exploração inicial sobre um fenômeno pouco estudado", uma das conclusões da pesquisadora Joana Monteiro é justamente sobre o problema de Lilian. "Considerando um cenário muito otimista, no qual o aumento do número de creches levasse o percentual de mulheres com filhos que são nem-nem-nem para a média dos homens (10%), 1 milhão de mulheres de 19 a 24 anos poderiam entrar no mercado de trabalho", diz.
Hoje com 23 anos, a dona de casa diz que a família passa por dificuldade. O marido dela, João Gabril, precisou arranjar um segundo emprego e tem trabalhado mais de 16 horas ao dia para pagar as contas da casa, já que o rendimento familiar caiu pela metade. "Minha renda hoje é o Bolsa Família, que dá R$ 142", afirma.
Lilian até conseguiu uma vaga em uma creche no último mês de março, mas as aulas não começaram por falta de educadores. Ela aguarda que o problema seja resolvido até o começo de 2014 para voltar ao batente. "Às vezes as pessoas pensam que a gente não quer trabalhar, mas, se eu pudesse, mostraria que não tem jeito", conta. (F.G.)

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