Em Londrina, onde o acesso à internet foi classificado como homogêneo pela expedição WDC/Abranet, com grande oferta de operadoras e portanto custo baixo, também persiste a situação de famílias com baixo poder aquisitivo que sequer têm computador em casa. Quem confirma é Marcelo Casanova, presidente do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Galera de Deus, que trabalha com a inclusão social de crianças na Zona Leste da cidade.
A dona de casa Lazinha Albuquerque, do Santa Fé (Zona Leste), é uma das poucas moradoras que tem um computador em casa, presente da filha mais velha. Até pouco tempo atrás, a máquina não tinha acesso à internet. Porém, as idas frequentes de três das quatro filhas à lan house para realizar trabalhos de escola estavam ficando mais caras que ter acesso à rede em casa. Assim, Lazinha resolveu contratar um pacote de internet econômica oferecido por uma operadora local. O pacote custa R$ 29,90, sendo que a hora em uma lan house, segundo Diego Leonardo (14 anos), outro participante do projeto, custa de R$ 2 a R$ 3. Diego não tem internet em casa, mas conta com a solidariedade de Lazinha e suas filhas para fazer suas atividades com a ajuda da web.
A preocupação com o que as filhas acessam também levou à decisão de contratar um plano de internet banda larga, diz a dona de casa. ''Agora que tem internet em casa eu posso ficar de olho se elas realmente estão fazendo trabalho.'' Como há apenas um computador na casa, as meninas se revezam para estudar e, claro, aproveitam para visitar as redes sociais. Lazinha, que faz um curso de cuidadores de idosos, também está aprendendo a usar a internet para fazer pesquisas.(M.F.C.)

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