A empregabilidade na construção civil e o faturamento dos supermercados são conhecidos termômetros da economia. Mas para muitas famílias a existência ou não de empregados domésticos é um indicativo mais forte. Ao menor sinal de crise, normalmente, eles encabeçam a lista de prejudicados com a redução nas despesas.
Na opinião dos proprietários de agências especializadas no setor, em Londrina, a indefinição do salário mínimo, os feriados e a campanha eleitoral atrapalharam o sucesso das contratações. De acordo com Ana Paula Basso, da Maria Mariá, o mercado está mais favorável às diaristas devido ao custo do empregado fixo. ''Um funcionário registrado que trabalha 8h/dia de segunda a sexta-feira e meio período no sábado custa, no mínimo, R$ 500,00, incluindo o pagamento do INSS (8% do salário) e o vale-transporte (cerca de R$ 80,00)'', explicou a empresária.
Para diminuir os gastos com a empregada doméstica, algumas pessoas consideram imprescindível que a candidata more perto do trabalho ou durma na casa dos patrões. Outra consequência da falta de dinheiro é a redução do número de empregadas registradas em carteira. A reportagem da Folha tentou apurar junto ao sindicato da categoria e ao INSS o índice de adesão à lei, mas não conseguiu contato. Na prática, as agências garantem que a porcentagem de patrões que respeitam os direitos trabalhistas dos seus empregados domésticos ainda é muito pequeno. Segundo Mara Leal da Silva, da agência Maria, o índice gira em torno de 30%.
Apesar da grande concorrência e poucas ofertas, muitas candidatas preferem aguardar uma proposta melhor. Esta foi a opção de Sara Rodrigues, 31 anos, que está desempregada há um ano e meio porque os últimos patrões mudaram para Brasília (DF). Sara possui 15 anos de experiência profissional e nunca foi contratada legalmente. ''A maioria deles diz que não registra e pronto'', justifica a doméstica. Mãe de três crianças e esposa de um eletricista autonômo, ela chegou a cobrar R$ 10,00 pela diária para ajudar em casa. ''Meu marido não possui um rendimento fixo e, no momento, também passa por uma fase difícil. Mas trabalhar por menos de um salário mínimo é complicado. Vou continuar esperando uma oportunidade'', disse Sara que nunca exerceu outra atividade profissional.
Nesta época do ano, a maior procura é por babás e cozinheiras dispostas a viajar com as famílias de férias. Isso, porém, apenas ameniza a situação dos desempregados que, devido à concorrência, precisam comprovar experiência, residência fixa e oferecer boas referências. ''É uma forma de garantir a tranquilidade do cliente'', resumiu Ana Paula que aceita somente candidatos com carteira de trabalho assinada.

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