Curitiba - O fortalecimento da classe média e a inserção cada vez maior da mulher no mercado de trabalho são os principais fatores que têm contribuído para o crescimento da categoria das empregadas domésticas. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o número de trabalhadores domésticos no Brasil saltou de 5,942 milhões em 2001 para 6,731 milhões em 2007, o que significa um crescimento de 13,27%. No Paraná, a categoria passou de 334.564 trabalhadores para 398.329, representando um aumento de 17,27%.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, o aumento do número desses trabalhadores está relacionado à retomada do crescimento da economia e à recuperação da renda, principalmente, da classe média. ''A trabalhadora doméstica é o sustentáculo da classe média. Permite que a mulher saia para o mercado de trabalho com alguém que cuide dos filhos e da casa'', disse a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria Oliveira.
A presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas do Paraná (Sindidom), Caroline Michelisa, contou que, mesmo com a crise financeira, no último ano houve crescimento do número de trabalhadores na área. Isso porque o salário da doméstica é melhor que de outras categorias, o que faz as pessoas deixarem outras áreas para ingressarem no serviço doméstico. Ela destacou que um auxiliar administrativo ganha R$ 20,00 a mais que uma doméstica.
Segundo ela, a idade das empregadas é muito variada, vai de 17 anos até 65. Grande parte não tem nem o ensino fundamental. Caroline disse que o que leva muitas delas a trabalharem no setor é a necessidade, a não exigência de escolaridade e de cursos. ''Muitas vezes, essas profissionais são responsáveis pela renda principal da casa'', disse.
A empresária e jornalista Luciane Maria Marcuria Kraemer tem quatro filhos e administra uma loja. Em casa, ela conta com a ajuda da empregada Eluisa Moraes, 41 anos, que ela chama de ''secretária do lar'' e da babá Zilene Ferreira de Souza, 44 anos.
Luciane conta que Eluisa trabalhou três anos para ela, pediu para sair e voltou depois de três meses. ''A Eluisa voltou pela paixão que ela tem pela minha família e pelas crianças'', destacou. Segundo ela, hoje a empregada tem que ser polivalente, cuidar da casa, ajudar as crianças a fazerem a lição, cozinhar e levar os filhos em atividades extracurriculares. ''A confiança (na profissional) é tudo'', afirmou.
A babá Zilene Ferreira de Souza, 44 anos, cuidou do filho mais velho de Luciane, João Caetano, hoje com 4 anos. ''Eu saio de casa totalmente descansada porque tenho duas pessoas preciosas'', disse. A empresária tem os trigêmeos Valentina, Maria Luisa e Leonardo. Agora, Zilene está há quatro meses na casa de Luciane.
Eluisa afirmou gostar do trabalho na casa de Luciane porque a família confia nela e aprova o serviço. Ela está na atividade há mais de 20 anos e gosta do que faz. ''Desde quando a Luciane ficou grávida, eu estava aqui. Eu acompanhei tudo isso. A gente cuida (das crianças) como se fosse mãe'', contou.
Zilene já foi cozinheira industrial e conta que gosta de cozinhar e cuidar de criança. Ela trabalha há 20 anos como babá e começou com 16 anos. ''Eu amo fazer o meu trabalho, adoro essas crianças, só não levo jeito para limpeza'', brinca.

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