Com o pano de fundo de uma nova fuga de depósitos, da continuidade da escalada da taxa de risco do país, da queda da Bolsa, e das indefinições do FMI em conceder um waiver (perdão) ao governo do presidente Fernando De la Rúa, diversas especulações a dolarização da economia, a desvalorização da moeda, default e renúncias do presidente e dos ministros assolaram ontem a city financeira portenha, que entrou em um estado de desespero que não era visto desde os tempos da hiperinflação.

Entre todas as especulações, uma delas o abandono da moeda nacional, o peso, e sua substituição pelo dólar começou a sair da mera esfera do ensaio acadêmico e passou a ser vista com seriedade e urgência. Logo cedo o chefe de assessores do ministro da Economia, Guillermo Mondino, admitiu que antes de correr o risco de uma desvalorização, o país dolarizaria a economia. Há 10 anos a Argentina é regida pela conversibilidade econômica, na qual um peso equivale a um dólar.

Mondino sustentou que ''a conversibilidade vai permanecer''. No entanto, afirmou que ''a dolarização é um alternativa dentro da conversibilidade. Mas dentro da conversibilidade não existe a alternativa de desvalorizar''. Ele afirmou que, por enquanto, a dolarização não está sendo discutida. Apesar disso, outros assessores do ministério, em off, sustentaram que esperam o sucesso da operação de reestruturação da dívida pública, como forma de criar confiabilidade e assim brecar a fuga de depósitos. Mas se a fuga permanecer, ''vamos direto para a dolarização'', afirmam.

mockup