Depois da fatídica sexta-feira, 29 de janeiro, o dólar voltou ontem a fechar cotado acima de R$ 2,00. No período da manhã, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 2,07. Mas acabou encerrando o dia a R$ 2,02, em alta de 2,54% em relação ao fechamento de anteontem. No final da tarde, operadores comentavam que o Banco Central teria consultado dealers (bancos que operam diretamente com o BC e irrigam o mercado com moeda norte-americana). Em alguns casos, o BC teria atuado na ponta de venda. Pouco depois das 18 horas, o BC confirmou oficialmente sua atuação pelos dealers.
De acordo com operadores, a intervenção do BC ontem teve mais um efeito psicológico do que efetivo na injeção de dólares no mercado. ‘‘O BC quis mostrar que não vai deixar que o cenário fique conturbado, como aconteceu nos últimos dias de janeiro. O simples fato de o BC ter consultado dealers serviu como pressão para que o movimento de alta fosse refreado’’, comentou um operador.
Segundo ele, o BC não teria vendido dólares em quantidades que pudessem afetar de forma significativa as reservas internacionais. ‘‘Foi mais pressão do que venda’’, resumiu o operador. O mercado amanheceu pressionado ontem, dando sequência a um movimento de alta iniciado anteontem. O anúncio de que a Petrobras iria internalizar US$ 215 milhões entre terça-feira e hoje não conseguiu dar suficiente liquidez aos negócios. Essa quantia, na verdade, iria neutralizar os vencimentos de US$ 205 milhões em eurobônus previstos para esta semana.
Diante disso, pesou o fato de que na próxima segunda-feira haverá vencimento no mercado futuro de câmbio. Operadores comentam que parte do mercado, em vez de esperar a data do vencimento no dia primeiro de março, está saindo de suas posições de março para ficar comprada no vencimento de abril. O motivo dessa operação seria o de não correr o risco da volatilidade esperada para o final de fevereiro. Essa mudança no câmbio futuro, segundo operadores, acabou também influenciando a alta do dólar à vista.
A atuação do BC acabou contribuindo para que o dólar não fechasse na cotação máxima do dia. Mas operadores também afirmam que quando o dólar ultrapassou a casa dos R$ 2,00, exportadores começaram a ligar para as mesas de operações para fechar ACCs. ‘‘Isso também contribuiu para o recuo do dólar. Mesmo assim, o mercado continua pressionado. Afinal, nem BC com exportadores conseguiram derrubar o dólar abaixo de R$ 2,00’’, afirmou um operador.

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