São Paulo - A especulação política e financeira voltou a ganhar força no mercado e apagou uma breve onda de otimismo com o acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional. A percepção de que o crédito internacional do país deve melhorar apenas aos poucos ajudou a manter em fervura o preço do dólar.
A moeda americana subiu 3,78% ontem e fechou em R$ 3,02. Na semana, o dólar acumulou leve alta de 0,33%. O risco-país também subiu e superou os 2.000 pontos. Encerrou com valorização de 15%, a 2.005 pontos.
O Ibovespa, índice que reúne as 57 ações mais negociadas do pregão paulista, fechou com baixa de 3,19% e voltou a ficar abaixo dos 10 mil pontos, a 9.985 pontos. O giro financeiro foi o maior do ano, de R$ 1,13 bilhão. Assim como o câmbio, os juros e o risco Brasil, a Bovespa devolveu os ganhos gerados pela conclusão do acordo entre o Brasil e o FMI.
A maioria dos analistas e agentes do mercado ouvidos avalia que o candidato do governo, José Serra (PSDB), não tem mais chances na disputa das eleições deste ano - Serra, na avaliação do mercado, representaria a continuidade da atual política econômica.
Pesquisa do Ibope apontou empate entre Anthony Garotinho (PSB) e Serra. Ontem, havia o boato de que o resultado de sondagem do Vox Populi, que será divulgado amanhã, mostraria Serra dois pontos percentuais abaixo de Garotinho e, portanto, em quarto lugar. Daí surgiu a especulação de que Serra desistiria das eleições e até de que integrantes do PSDB estariam reunidos para discutir a possibilidade de pedir a renúncia do candidato. Aécio Neves (PSDB) assumiria seu lugar. Os boatos foram negados pela assessoria de Serra.
Além de não contar mais com a possibilidade de o atual governo eleger seu sucessor, uma possível vitória de Ciro Gomes (PPS) gera mais temor ao mercado do que a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a Agência Folha apurou.

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