Pouco mais de uma semana depois de ultrapassar a marca de R$ 2,00, recuando em seguida, o dólar ameaça chegar àquele patamar novamente. Ontem, a moeda norte-americana subiu durante o dia todo e fechou a R$ 1,92, com alta de 4,35% em relação a sexta-feira. Pela média ponderada do Banco Central, a moeda ficou em R$ 1,86, com alta de 1,59% no dia. A razão apontada para a alta é o grande volume de vencimentos de dívidas no exterior de bancos e empresas brasileiros.
Até sexta, vencem mais de US$ 400 milhões. Duas das maiores vencem na própria sexta: US$ 120 milhões do banco Votorantim e US$ 100 milhões do banco ABN-Amro. A compra antecipada de dólares pelas duas instituições, segundo operadores, respondeu por grande parte da alta da moeda. Os bancos e empresas com vencimentos no exterior têm procurado adquirir aos poucos e com antecedência os dólares necessários. Além disso, preocupa o mercado financeiro o fato de que vence na quarta o bônus de US$ 100 milhões do governo de Minais Gerais, que o governador Itamar Franco ameaça não pagar.
O mercado de câmbio tem estado ‘‘estreito’’, no jargão do mercado financeiro. Isso quer dizer que há pouquíssimos negócios. Uma das características de um mercado ‘‘estreito’’ é que qualquer operação de volume um pouco maior altera muito as cotações. É por isso que as instituições evitam deixar a compra dos dólares para a véspera do pagamento. Poderiam ser surpreendidas por uma cotação mais alta e, no limite, não encontrar dólares suficientes.
O pequeno número de negócios no câmbio se deve às incertezas. Ninguém é capaz de traçar um cenário claro para o País. Isso deixa o mercado desnorteado. Há dúvidas a respeito da atuação do governo sobre o dólar e os juros. Há consenso de que o dólar está caro, mas o fluxo de saída deve continuar forte e o País está sujeito a turbulências. Sabe-se que o governo usará a política de juros altos para conter a inflação, mas não há consenso sobre o patamar.
O BC manteve ontem em 39% ao ano a taxa over-mercado de juro de um dia. No mercado futuro de juro, as projeções de curto prazo recuaram ligeiramente, após forte alta na semana passada. O contrato de março, que projeta o juro de fevereiro, recuou de 46,6% para 43,9%. As projeções de prazo mais longo subiram. A taxa das operações de um ano, que projeta qual será o juro médio nos próximos doze meses, foi de 46% para 49%.

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