O dólar comercial registrou ontem a maior cotação em um ano por causa do nervosismo gerado no mercado com o lançamento de títulos argentinos. Logo na abertura, com a expectativa sobre a situação do país vizinho, a moeda norte-americana chegou a ser comercializada a R$ 1,966, uma valorização de 1,39% sobre a cotação do dia anterior.
No fechamento do dia, houve um recuo e a moeda norte-americana caiu para R$ 1,953, valorização de 0,72%, cotação mais alta desde 29 de outubro de 1999.
Rumores de que o governo argentino desistiria da colocação integral dos papéis aumentou a pressão sobre a moeda. Segundo operadores, a alta de ontem foi forçada principalmente por especuladores, que arrumaram um bom motivo – o possível fracasso do governo argentino no leilão – para impulsionar a cotação da moeda.
Na opinião de Carlos Alberto Abdalla, da corretora Souza Barros, há outro ponto importante de pressão no mercado de câmbio: o decepcionante resultado da balança comercial brasileira até agora. No início do ano, o governo estimava um superávit de US$ 5 bilhões para este ano. Mas, até o fim de outubro, o superávit era de apenas US$ 105 milhões, em ritmo de queda.
‘‘Se o Brasil não estivesse com esse problema na balança comercial, a economia argentina não incomodaria tanto.’’
Para o analista, se a balança comercial fechar negativa em dezembro, haverá uma pressão ainda mais forte sobre o câmbio no início do ano.
As implicações da alta do dólar, que já chega a 8,38% neste ano, começam a preocupar alguns analistas. Os reflexos desta disparada nos preços de produtos importados ou dos que necessitam de componentes vindos do exterior, como os eletroeletrônicos, já devem ser sentidos nas compras de Natal.
O encarecimento do petróleo importado também pode acabar forçando o reajuste dos combustíveis, principalmente depois da divulgação dos índices de inflação de outubro, que ficaram abaixo do esperado. Dessa forma, um aumento nos preços dos combustíveis não causaria grande impacto na inflação anual.
ArgentinaO governo da Argentina teve que aceitar as taxas mais altas do ano para colocar ontem no mercado interno US$ 1,1 bilhão em Letras do Tesouro Nacional. Foi a primeira operação desse tipo desde o nervosismo causado pelas declarações do ex-presidente Raúl Alfonsín, sugerindo que o país adotasse uma moratória de dois anos, e da ameaça da agência Standard & Poor’s de rebaixar a classificação da Argentina em três meses caso não apresente sinais de recuperação econômica.
Segundo o informe do Ministério da Economia, para que os bancos acatassem o lote de US$ 250 milhões em Letras com vencimento em 91, estabeleceram taxas de 12,59% ao ano. Duas semanas atrás, ao negociar com os mesmos títulos, o mercado exigira taxa de 9,25% ao ano.

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