Dólar volta a subir após nervosismo e Meirelles sai em defesa do Copom
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sábado, 31 de janeiro de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O mercado financeiro iniciou o dia ontem reavaliando as expectativas para os indicadores da economia brasileira, depois do nervosismo de quinta-feira e de afirmações feitas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que reforçaram interpretações dos analistas de que o juro básico não deve recuar em fevereiro.
O dólar fechou em alta pelo sexto dia seguido, maior sequência de valorizações desde janeiro de 2003 (entre dias 17 e 24), quando o dólar subiu também consecutivamente por seis dias úteis.
A alta de ontem, porém, foi ínfima, ficando mais perto da estabilidade. A moeda fechou 0,03% mais cara do que ontem, a R$ 2,932 na venda - maior cotação do ano -, após oscilar entre R$ 2,917 (baixa de 0,47%) e R$ 2,958 (valorização de 0,92%).
Em evento na noite de quinta-feira em São Paulo, Meirelles saiu em defesa da ata do Comitê de Política Monetária Copom, do Banco Central (BC), considerada excessivamente pessimista pelo mercado, e disse que os analistas financeiros precisam ''refazer sua lição de casa'' antes de ''fazer suas apostas''.
O presidente do BC afirmou que o relatório mostra que há vários impedimentos que podem levar o País a crescer menos que os 3,5% previstos anteriormente.
Na ata, o Copom mostrou que está muito preocupado com a trajetória da inflação. Essa preocupação pode levar o comitê novamente a manter a taxa em 16,5% em sua próxima reunião.
Ontem, no Rio, Meirelles disse que vai continuar firme no combate à inflação e que não vai sucumbir às pressões políticas, do mercado ou do setor produtivo. ''Agora que estamos acertando, querem que cometamos erros. É preciso enfrentar os problemas sem invenções e piruetas. O Brasil já tentou todos os planos B possíveis'', disse.
Além da ata do Copom, a alta do dólar nestes últimos dias foi impulsionada também pelo interesse das instituições financeiras credoras do País em receber mais reais do governo no resgate integral de uma dívida cambial no valor de US$ 2,521 bilhões, que vence no próximo dia 2.
Parte do mercado pressionou a cotação, já que a média do dólar (ptax) de ontem será utilizada para remunerar os títulos que serão resgatados na próxima semana pelo governo e os contratos que serão liquidados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Quanto mais elevada essa média, mais reais os credores vão receber do governo.
Na semana que vem, a tendência do câmbio deverá ser definida de acordo com as atuações do Banco Central no mercado para comprar dólares e, é claro, pelo fluxo de recursos no mercado. Desde o dia 8 de janeiro a autoridade monetária vem comprando divisas para reforçar as reservas internacionais do País. De acordo com os analistas, o dólar deve se equilibrar em torno de R$ 2,90 nos próximos dias.


