São Paulo O dólar comercial voltou a fechar ontem abaixo de R$ 3, com o mercado animado por boas notícias sobre a economia do País e pelos rumores de novas captações de empresas brasileiras no mercado externo. No encerramento dos negócios desta quarta-feira, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,942, com desvalorização de 2,74%. Esse é o seu menor valor em uma semana. Em um mês, o dólar acumula queda de 7,23%.
Entre os principais fatores que explicam a acentuada baixa de ontem está o sucesso de uma rolagem de dívida cambial feita pelo Banco Central, a qual reforçou o bom humor que o mercado apresentava desde o início do expediente. Logo na abertura, a divulgação de que a inflação na cidade de São Paulo recuou para 0,57% em abril - menor taxa em 10 meses -, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), animou os investidores.
O BC vendeu US$ 904,4 milhões em contratos de ''swap'' cambial, o que corresponde à totalidade da oferta. Os títulos que vencem no dia 15 de maio foram trocados por outros com vencimentos em setembro deste ano, fevereiro e julho de 2004, julho de 2005 e janeiro de 2008. O êxito da instituição demonstra novamente que a confiança dos investidores no Brasil está alta.
''O governo deveria aproveitar o bom momento por que passa o país - com os indicadores econômicos melhorando, e os credores gostando da política monetária do governo Luiz Inácio Lula da Silva - para diminuir a dívida cambial do país. Como? Rolando percentuais menores dessa dívida. Talvez não se tenha feito isso ainda para que o mercado não pense que se trata de uma intervenção no câmbio'', comenta Mário Paiva, especialista da corretora Liquidez.
Também há rumores de que a Petrobras vai emitir até a metade do mês bônus de 12 anos no valor de US$ 750 milhões. O Unibanco, por sua vez, lançou uma captação de US$ 75 milhões em eurobônus de longo prazo, com vencimento em novembro de 2004.
A expectativa do mercado é de o fluxo de entrada de recursos continue alto. Esse otimismo é alimentado pelas recentes variações do risco-país e do C-Bond. O risco registrou ontem baixa de 3,51%, para 768 pontos, e o título, o mais negociado da dívida externa brasileira, teve alta de 1,48%, vendido a 89,813% do valor de face.
''A tendência para o dólar nos próximos dias ainda é de baixa'', afirma Paiva. ''Está mais do que claro que o movimento das últimas sexta e segunda-feira (quando o dólar subiu quase 5%) foram pontuais, já que foi provocado por uma volumosa compra de um banco que teve que efetuar uma remessa para o exterior.''

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