Dólar vai aumeutar ainda mais, para analistas de Wall Street
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terça-feira, 02 de julho de 2002
Agência Estado 
Nova York - Os estrategistas de mercados emergentes em Wall Street estão bastante pessimistas em relação à tendência para o câmbio e os títulos da dívida no curto prazo. O gestor de um grande fundo de mercados emergentes, que preferiu não se identificar, vê a cotação do real se deteriorar ainda mais nas próximas semanas. ''Não há comprador final de real, por isso o câmbio seguirá bastante pressionado'', disse o executivo. Segundo ele, o calendário de vencimentos de dívidas de empresas brasileiras ainda é bastante pesado até o fim do ano.
''Como muitas dessas empresas não devem conseguir rolar as dívidas, já estamos sentindo parte dessa pressão por demanda de dólar pronto'', explicou a fonte, referindo-se ao mercado de câmbio à vista. Na opinião do estrategista-chefe de câmbio para mercados emergentes do banco HSBC, Amir Ben-Gacem, o câmbio continuará se desvalorizando e, provavelmente, deverá atingir o nível psicológico de R$ 3,00 por dólar. ''O sentimento do mercado de câmbio ainda está sendo movido por preocupações com o cenário eleitoral e também pela elevada demanda por dólar pelo setor privado brasileiro, que tem pela frente um grande volume de amortizações. Isso faz com que haja demanda por dólar mesmo nos níveis atuais de preços'', explicou Ben-Gacem. ''Acho muito difícil a cotação do real reagir no curto prazo e reverter essa tendência.''
O estrategista do HSBC acredita que o Banco Central deverá intervir com mais força, via leilões ou venda no mercado à vista, para tentar evitar que o câmbio permaneça próximo à faixa de R$ 3,00 por dólar, que é um nível perigoso para as expectativas.
Em relação aos títulos da dívida externa, o estrategista de renda fixa para mercados emergentes do banco ABN-Amro, James Sha, acha que a direção do câmbio continuará afetando esses títulos. ''Os dois mercados estão muito ligados'', disse.


