Dólar vai a R$ 2,89 e atinge a maior cotação de julho
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quarta-feira, 17 de julho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O câmbio teve um dia nervoso ontem e foi o único mercado a encerrar em terreno negativo, mesmo com a redução de meio ponto dos juros. O dólar subiu 0,87%, para R$ 2,897, seu maior valor desde 1º de julho.
A pressão no mercado cambial teve dois motivos específicos. Um deles, a perspectiva de uma saída de cerca de US$ 1 bilhão de uma empresa de telecomunicações - segundo alguns operadores, a Portugal Telecom. A empresa estaria comprando a moeda americana desde ontem e enviando os recursos para o exterior.
Um outro motivo foi o fato de o BC não ter tentado fazer um leilão para a rolagem de títulos cambiais que vencem hoje. Após a confirmação de que não haveria leilão, o dólar, que iniciava o dia com pequena baixa, alcançou alta de 0,9%. Na segunda e na terça-feira, o BC tentou fazer a rolagem ofertando contratos de ''swap'' cambial (uma espécie de seguro contra a variação cambial). Mas, além de a oferta ter superado a demanda, o mercado pediu taxas altas.
O diretor de política monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que a instituição irá fazer a rolagem de metade dos títulos cambias que vencem hoje. Mas que isso não significa que os títulos cambiais que vencem daqui por diante deixaram de ser rolados integralmente: ''Não houve rolagem integral por falta de demanda'', disse. Por esse motivo ele avalia que o impacto no mercado cambial seria mínimo.
Logo após a decisão do Copom, o dólar disparou e chegou a bater em R$ 2,921, com alta de 1,7%. A decisão surpreendeu ao mercado, que esperava pela manutenção da taxa. Em princípio, ela não teria agradado por ter sido atribuída ao atual momento político - os juros teriam caído numa tentativa de impulsionar a candidatura de José Serra (PSDB), que não vai bem nas pesquisas eleitorais.
A alta foi contida porque o BC vendeu US$ 50 milhões, como parte da ração diária que voltou a oferecer ao mercado. Antes, o BC já havia realizado um leilão de linha externa em que recomprou e colocou US$ 100 milhões.
A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 1,67%, para 10.754 pontos e girou R$ 542,242 milhões. No entanto, mais do que o corte dos juros, impulsionou a valorização o anúncio da fusão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) com o grupo anglo-holandês Corus.


