O dólar comercial atingiu ontem novo recorde do real ao fechar em alta de 1,12%, vendido a R$ 2,341. A fome de bancos e empresas por dólar para hedge e a oferta escassa no mercado pressionaram as cotações, mas não sensibilizaram o Banco Central. Diretores e operadores de mesas de câmbio disseram que o BC tende a intervir no mercado apenas quando avaliar que o salto do dólar poderá comprometer suas metas de inflação. Como não sabe qual é o nível de preço inaceitável pela autoridade monetária, o mercado vem testando novos ajustes a cada dia.
Segundo analistas, a continuidade do cenário argentino nebuloso e a falta de informações sobre os apagões no Brasil devem continuar sustentando o avanço do dólar. Essas preocupações dissiparam qualquer influência positiva que o corte de 50 pontos, para 4% ao ano, no juro nos Estados Unidos poderia ter sobre o mercado cambial (leia ao lado).
O cancelamento do leilão de venda da Cesp Paraná também pressionou o dólar. Isso por causa da expectativa frustrada de eventual ingresso no País de cerca de US$ 800 milhões, caso alguma empresa estrangeira viesse a adquirir a estatal do setor de energia.
No mercado à vista, o dólar oscilou 0,69%, entre a mínima de R$ 2,327 e a máxima de R$ 2,343. O giro financeiro no D2 pronto foi um dos menores dos últimos meses: somou apenas US$ 916 milhões ou 43% inferior aos US$ 2,129 bilhões movimentados ontem.
Impulsionado pelas ações do setor de telecomunicações, o Ibovespa fechou em alta de 0,66%. O volume financeiro somou R$ 508 milhões. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 0,82%.
(Silvana Rocha, Márcia Pinheiro e Mario Rocha)

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