Dólar tem repique e fecha em R$ 1,73
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Das agências 
Ontem, pela primeira vez, as investigações de suposto favorecimento a bancos na desvalorização do real quebraram o otimismo do mercado de câmbio. O aparecimento de indícios mais sérios contra o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, analisados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bancos, causou nervosismo e o dólar subiu 2,97%. A moeda norte-americana acabou o dia a R$ 1,735, contra R$ 1,685 anteontem.
A pressão no câmbio também foi causada pelo vencimento, hoje, de cerca de R$ 700 milhões em títulos federais atrelados ao câmbio. Bancos com esses papéis tentaram puxar para cima o valor do dólar para aumentar seu rendimento. O mercado teme que a CPI dos Bancos fuja do controle e atinja funcionários do governo. O mercado ficou incomodado , disse Joaquim Kokudai, do Lloyds Bank.
O que precipitou a onda de apreensão no mercado foi a divulgação de que um dos documentos apreendidos da casa de Lopes revelaria a existência de recursos no valor de US$ 1,7 milhão mantidos no exterior por Luiz Augusto Bragança, que seria sócio da mulher de Lopes, Araci Benttes Pugliese, na empresa de consultoria Macrométrica.
Os integrantes da CPI dos Bancos, mesmo ressalvando que os documentos precisam ser periciados, avaliam que Lopes ficou em situação difícil. Essa também é a impressão dos analistas do mercado financeiro. Essa parece a acusação mais objetiva até aqui, diz um operador.
Ontem foi o primeiro dia de reação forte do mercado desde a criação da CPI. Grandes bancos, por causa da instabilidade criada pelos desdobramentos políticos da comissão parlamentar (como os novos indícios contra Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central), buscaram comprar a moeda americana, pressionando seu valor. O mercado teme que o valor do dólar possa subir ainda mais, caso a CPI atinja altos funcionários do governo - o que geraria desconfiança e provável fuga de divisas.
O Banco Central chegou a intervir no câmbio pela manhã, mas, segundo analistas, com pouca intensidade. O BC teria vendido cerca de US$ 50 milhões para tentar conter a alta, mas, ao ver que o dólar não estava superando R$ 1,73, se retirou do mercado. Os analistas estimavam, no final do dia, uma saída de cerca de US$ 400 milhões do país ontem.
O vencimento, hoje, de cerca de R$ 700 milhões em títulos da dívida pública - corrigidos pelo câmbio - fez com que os bancos detentores dos papéis buscassem uma valorização da moeda americana para conseguir um valor maior no resgate. Acompanhando o clima, houve a elevação de cerca de 1% na projeção dos juros anuais. A taxa projetada pelo mercado para maio ficou em 33,16%. A Bolsa de Valores de São Paulo foi encerrada em 10.989 pontos, com retração de 1,85%. O volume comercializado, que anteontem havia sido de R$ 2,8 bilhões (recorde nos últimos 12 meses), caiu para R$ 683 milhões.
A má performance da Bolsa de Nova York também contribuiu para a queda da Bovespa. O índice Dow Jones chegou a perder 150 pontos, recuperando-se durante o dia e fechando em alta de 8,02 pontos. A Bovespa acompanhou a evolução, caindo 4% no início da tarde e recuperando-se no final. O C-bond, o título da dívida externa brasileira mais negociado, passou de 69,9% do valor de face, cotação que havia atingido anteontem, para 69,4% do valor de face.


