São Paulo Desafiando as expectativas mais otimistas, o dólar comercial voltou a registrar recorde de baixa, ontem. A moeda norte-americana terminou o dia vendida a R$ 2,818, com desvalorização de 0,70%. Esse é o seu menor valor desde 12 de julho de 2002.
Novas captações de empresas brasileiras no exterior explicam a euforia. Ontem, o BankBoston iniciou uma emissão de eurobônus no valor de US$ 50 milhões e a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) também teria aberto operação para obter quase US$ 150 milhões, segundo informações do mercado financeiro. ''É muito forte a expectativa de venda, por isso as cotações estão despencado'', afirmou Miriam Tavares, diretora de câmbio da corretora AGK.
Além disso, os US$ 500 milhões obtidos pela Petrobras no final da semana passada estariam começando a entrar no mercado. ''Estamos vendo espaço para quedas ainda maiores'', comentou Tavares. Analistas disseram que o dólar comercial deve até romper a barreira dos R$ 2,80 nos próximos dias. ''O ritmo de captações se mantém muito forte'', disse um especialista.
Mas ainda não se pode dizer que o piso informal de R$ 2,85 tenha sido abandonado. ''Nos momentos de maior excitação pode até ser que a moeda norte-americana recue mais, só que nesse ponto os importadores passam a comprar'', ponderou Tavares.
A pressão de compra por parte dos que têm compromissos a saldar em dólares não foi suficiente para limitar a forte queda das cotações, mas esse movimento deve se acentuar a partir de hoje. O dólar turismo fechou estável a R$ 2,92, e o paralelo caiu 1,01%, para R$ 2,94.
O C-Bond teve mais um dia de desvalorização. O título, que é o mais negociado da dívida externa brasileira, fechou negociado a 88,938% do valor de face, em queda de 0,21%. Ontem, o banco de investimentos JP Morgan elevou a recomendação desses títulos, dizendo que o investidor deve aproveitar as recentes baixas para reforçar sua carteira. O risco Brasil avançou 1,43%, para 778 pontos.

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