São Paulo A mudança na política de rolagem da dívida atrelada ao dólar caiu como uma bomba sobre o mercado financeiro, ontem. A moeda norte-americana disparou e fechou na cotação máxima do dia, vendida a R$ 3,030, com alta de 3,87%. E a previsão é de novas altas nos próximos dias.
A medida, que consiste apenas na informação de que o Banco Central pode deixar de renovar integralmente sua dívida cambial, foi entendida como uma ''intervenção indireta'' no câmbio, porque pode diminuir a oferta de dólares no mercado.
Isso porque até a sexta-feira passada o BC sinalizava que deixaria o mercado com muito hedge (proteção) cambial, se assim foi desejado. Na sexta, por exemplo, o BC iniciou, com uma semana de antecedência, a rolagem de 58,5% de uma dívida que só vence no dia 2 de junho. O recado foi entendido então como um sinal de que deixaria o dólar abaixo de R$ 3 e a moeda norte-americana desabou 2,2%.
Por conta da possibilidade de menor oferta de dólares, bancos e investidores se desesperaram para refazer as posições compradas nos contratos futuros, o que também pressiona as cotações no mercado à vista. ''A reação foi exagerada porque foi anunciada em um dia com poucos negócios'', afirma Emílio Garofalo Filho, ex-diretor da Área Externa do BC.
Muitos analistas já defendiam anteriormente uma intervenção no câmbio para proteger o setor exportador, que vê seus ganhos diminuírem quando o real se valoriza. ''O anúncio foi traumático'', afirma um operador. Ele explica que, pego de surpresa, o mercado não teve tempo de refazer suas estratégias e por isso a valorização do dólar foi tão expressiva.
''Esse tipo de notícia tem que ser dada no final do dia para evitar grandes volatilidades'', reclama. ''Estão todos mais cautelosos porque a incerteza sobre se o BC vai rolar a totalidade da dívida ou não da próxima vez é mais uma variável a ser considerada na avaliação de cenário.''
Como ontem os mercados norte-americanos não funcionaram, devido a feriado nacional, não foi possível medir a reação dos investidores estrangeiros ao anúncio por meio da variação do C-Bond - principal título da dívida externa brasileira - e do risco Brasil. O título esteve cotado a 89,938% do valor de face, e o risco era em 783 pontos.

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