São Paulo - O mercado não precisou de uma notícia pessimista ontem para o dólar disparar e a Bolsa paulista despencar. A moeda norte-americana registrou a maior variação em um único dia desde abril de 1999. A alta foi de 2,95%, o que levou o dólar terminar o dia cotado a R$ 2,712 na compra e a R$ 2,714 na venda. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após acumular alta de 4% nos dois últimos pregões, caiu 3,08%.
A variação de ontem chega a ser maior do que a verificada no dia 21 de setembro, dez dias após os ataques contra os EUA, quando o dólar subiu 2,64%. A alta de terça-feira foi alimentada pela procura dos bancos, que têm uma série de vencimentos em dólar a pagar nos próximos dias. Segundo operadores, os motivos para a disparada do dólar vêm do próprio mercado, e não dos fundamentos da economia.
‘‘O mercado está muito enxuto, qualquer operação de US$ 10 milhões já mexe com as cotações’’, ressaltou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da corretora Novação. O volume foi baixo, e a procura pelos bancos para cobrirem seus vencimentos foi alta.
A alta do dólar foi citada como motivo do fracasso do leilão de LTNs (Letras do Tesouro Nacional) realizado ontem. As instituições financeiras têm preferido colocar dinheiro no mercado cambial e apostar na alta da moeda norte-americana contra o real para ganhar dinheiro.
Mais uma vez o Tesouro Nacional não conseguiu vender integralmente o lote de 2 milhões de LTNs, mesmo antecipando os vencimentos para este ano (2 de outubro), como pedia o mercado, para evitar riscos relacionados ao novo governo, que assume em 2003.
A Bovespa devolveu ontem boa parte dos ganhos obtidos nos últimos dois pregões e fechou em queda de 3,08%, aos 12.210 pontos e giro de R$ 667,884 milhões. A Bolsa paulista acumula perdas de 0,6% na semana, de 5% no mês e de 10% no ano.
A taxa de juros futuro negociada na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) chegou a 20,31% nos contratos com vencimento em janeiro de 2003, os mais negociados. O grama do ouro fechou em alta de 2,96%, cotado a R$ 27,80.
O risco-País, que mede a diferença entre os juros de uma cesta de títulos de dívida externa brasileiros e papéis equivalentes do Tesouro americano, aumentou de 1.149 pontos para 1.232 pontos.

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