O dólar comercial ficou bem-comportado ontem e operou o dia todo em terreno negativo, mesmo sem a atuação do Banco Central. No encerramento dos negócios, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 2,30, em queda de 0,22%, depois de recuar até 1,30% pela manhã, a R$ 2,2750. Na máxima, a cotação atingiu R$ 2,301 (-0,17%). A queda dos preços foi assegurada ontem pelas tesourarias de bancos. Os profissionais do mercado disseram que houve maior oferta no mercado à vista porque os bancos que compraram os 4 milhões de papéis cambiais (NBC-E) nos dois leilões realizados anteontem pelo BC atuaram na venda de moeda em espécie para zerar o risco cambial.
Mas o declínio do dólar acabou sendo tímido no fechamento por causa de três razões principais, segundo o mercado: 1) o fluxo foi ligeiramente negativo no dia devido a compras de moeda por empresas para remessas ao exterior a fim de honrar compromissos que estão vencendo neste fim de mês; 2) houve temor de que o STF não concedesse liminar à ação declaratória de constitucionalidade (ADC) do governo sobre o Plano de Racionamento, o que provocou ordens de compras no meio da tarde depois que o relator do processo, ministro Neri da Silveira, negou o pedido de liminar do governo; 3) e também houve pressão sobre o dólar pronto visando o fortalecimento da Ptax (média do dia) por investidores que estão comprados em contratos futuros de câmbio, que vencem hoje na BM&F e serão liquidados na segunda-feira com base na Ptax desta sexta-feira. Ontem, a Ptax fechou a R$ 2,2923, em queda de 1,35%. Após o encerramento dos negócios, o STF decidiu conceder liminar na ADC do programa de racionamento de energia elétrica, proposta pelo governo ao Supremo Tribunal Federal, como era desejado pelo mercado.
Depois de quatro pregões consecutivos em baixa, a Bovespa reagiu ontem para encerrar em alta de 0,57%.
(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Mario Rocha)

mockup