São Paulo - O Brasil foi atingido ontem por mais um dia de deterioração dos mercados financeiros internacionais. O dólar comercial disparou 2,55% e fechou vendido a R$ 3,14, sua maior cotação desde abril do ano passado. O risco-país subiu 6,18%, fechando em 808 pontos. A Bovespa teve queda de 5,46%, sua segunda maior baixa do ano.
A crise de ontem foi provocada pelos mesmos fatores que afetaram os mercados financeiros global e doméstico nas últimas semanas: a crescente expectativa de que os juros nos EUA sejam elevados já no próximo mês; a alta no preço do petróleo; e o temor de que sejam anunciadas novas medidas para conter o superaquecimento econômico da China.
Na Bolsa de Mercados & Futuros (BM&F), as taxas de juros futuros - usada como instrumento de planejamento pelas grandes empresas - dispararam. No contrato DI (que acompanha os juros) mais negociado, com vencimento na virada do ano, a taxa saltou de 15,87% para 16,96%. Atualmente a taxa básica (Selic) é de 16% anuais. Esse contrato sempre teve taxa abaixo da Selic vigente no período.
''O mercado passou a projetar elevação da Selic no segundo semestre. Até sexta, havia dúvidas se isso viria a ocorrer. Hoje não há mais'', diz Paulo Gomes, estrategista da consultoria Global Invest.
Todos os contratos DI com vencimento de setembro para frente fecharam com taxa acima da atual Selic. No DI com prazo em abril de 2005, a taxa foi de 16,19% na sexta para 17,50% hoje.
Efeito cascata - A queda das Bolsas americanas arrastou os mercados acionários de todo o mundo. Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones fechou abaixo dos 10 mil pontos pela primeira vez desde 10 de dezembro do ano passado. O principal indicador de Wall Street caiu 1,24%, para 9.990 pontos. A Bolsa eletrônica Nasdaq voltou aos patamares de novembro passado, fechando abaixo dos 1.900 pontos. Ela caiu 1,14%, para 1.896 pontos. Já o índice S&P 500, mais representativo das tendências de mercado, retrocedeu 1,05%, para 1.087 pontos.
Na Europa, a Bolsa de Londres teve perdas de 2,29% em seu principal indicador, enquanto a de Paris recuou 2,73% e a de Frankfurt, 2,85%. Na América Latina, a maior baixa foi da Bolsa de Buenos Aires, que desabou 8,36%.
As Bolsas ainda estão refletindo os dados do Departamento de Trabalho divulgados na sexta-feira. Em abril, o número de vagas cresceu pelo segundo mês consecutivo, com a criação de 288 mil postos de trabalho.
Tal performance mostra que a recuperação da economia está se solidificando. E, de acordo com a lógica de Wall Street, uma boa notícia torna-se uma má notícia. Uma expansão sustentada levaria o Banco Central americano a aumentar os juros para conter pressões inflacionárias, e taxas mais altas significam maiores custos de financiamento para os empresários. Daí a queda das ações.

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