São Paulo O impasse sobre a reforma da Previdência conteve a onda de otimismo que invadiu o mercado na virada do ano e deu espaço para o vencimento de uma dívida cambial pressionar o dólar para seu maior patamar em oito dias.
A moeda norte-americana fechou em alta de 2,20% a maior desde 12 de novembro, quando o dólar subira 2,79% cotada a R$ 3,325 na compra e a R$ 3,330 na venda.
A forte queda do dólar anteontem, que fechou a R$ 3,258, menor valor em quase quatro meses, já suscitava uma correção. Analistas consideraram o movimento exagerado e havia expectativa de que empresas endividadas aproveitassem a cotação mais baixa para comprar moeda, o que leva o preço a subir.
Além disso, o dia foi marcado pela pressão de investidores sobre a cotação devido ao vencimento de uma dívida cambial de US$ 1,78 bilhão amanhã. Segundo operadores, isso ocorreu porque, embora o Banco Central tenha rolado 97% do vencimento, as novas operações feitas não teriam ficado nas mãos dos mesmos investidores que têm títulos a vencer e, portanto, dinheiro a receber.
Bolsa A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em queda de 1,67%, aos 11.971 pontos e volume financeiro de R$ 652,572 milhões. O motivo da queda foi o fracasso da proposta do governo para a reforma da Previdência.
''Há dois dias, o mercado estava sem notícia, sem rumo. Hoje, finalmente, encontrou um catalisador para suas expectativas. Não será fácil aprovar a reforma da Previdência'', diz Decio Pecequilo, gerente da corretora Novação. Além do impasse político sobre a Previdência, as Bolsas americanas operaram em baixa, o que prejudica os negócios no Brasil.
A alta do dólar ajudou as ações das exportadoras. A maior alta foi da Bradespar PN, que subiu 1,7%, a R$ 0,58 o lote de mil. A empresa é uma holding que tem participação na Companhia Vale do Rio Doce, exportadora de minério de ferro. Vale PNA foi a segunda maior alta, de 1,47%, a R$ 89.
Na lista de baixas, Telesp Celular PN liderou com queda de 5,9%, a R$ 4,42. A empresa é controlada pela Portugal Telecom e sofreu com os boatos de que pode ser usada para a compra da TCO (Tele Centro Oeste Celular) pela Brasicel (joint venture entre a Portugal Telecom e a Telefônica). A TCO negou a venda. Sua ação ON fechou em alta de 4,46%, a R$ 11, após ter disparado mais de 13%. O papel PN, após ter saltado mais de 10%, encerrou em queda de 2,11%, a R$ 5,10.
O balanço dos investimentos estrangeiros na Bolsa paulista está positivo até o dia 10 de janeiro. O saldo revela entrada de capital externo no total de R$ 247.693.824, resultado de compras de ações no valor de R$ 814.689.612 e vendas de R$ 566.995.788.

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