Dólar tem 7ª alta seguida e chega aos R$ 4,12
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
Agência Estado 
Mau humor global faz moeda americana subir 1,45%
O dólar emplacou nesta quinta-feira (23) sua sétima alta consecutiva, que resultou do mau humor no mercado internacional, combinado com o desconforto dos investidores com o cenário eleitoral interno. Sob o monitoramento silencioso do Banco Central, o dólar fechou em alta de 1,45% no mercado à vista e atingiu R$ 4,1203 - terceiro maior valor da história do Plano Real. Em sete altas consecutivas, o dólar "spot" já subiu 6,69%, levando o acumulado de agosto para uma elevação de 9,72%. O valor de fechamento desta quinta é o maior desde 21 de janeiro de 2016. Naquele dia, a divisa havia fechado aos R$ 4,1705. O silêncio do Banco Central diante da nova escalada do dólar foi considerado por diversos analistas como um fator de incerteza para o mercado
Alta generalizada ante moedas emergentes
A quinta-feira foi de alta generalizada do dólar ante moedas emergentes, em meio a uma série de temores, a maioria relacionados aos Estados Unidos. Um dos pontos de tensão foi o início da vigência de novas tarifas dos EUA contra a China, ao mesmo tempo em que o gigante asiático acenou com retaliação e anúncio de ingresso de ação na OMC (Organização Mundial de Comércio). Temores de elevação de juros nos EUA e ruídos na Itália também influenciaram. O cenário doméstico não trouxe grandes novidades, depois dos dias de agitação por conta da divulgação de pesquisas eleitorais Nem por isso a cautela do investidor se dissipou, uma vez que a percepção é de que pode ser grande o desafio de Geraldo Alckmin (PSDB) de chegar ao segundo turno da eleição presidencial.
Ibovespa tem dia negativo e recua 1,65%
A Bolsa abriu o pregão na manhã desta quinta-feira rondando a estabilidade, já mostrando que tinha pouco fôlego para sustentar a alta da véspera. Quando o mercado acionário dos Estados Unidos abriu, houve volatilidade, mas o que predominou foi o dia no negativo. Lá fora, os mercados globais reagiam ao recrudescimento da tensão comercial entre Washington e Pequim. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, marcou 75.633,77 pontos, em baixa de 1,65%, no fechamento. Entre as blue chips, as ações de Itaú Unibanco PN perderam 3,89%, seguidas pelas Units do Santander (-3,50%). Bradesco PN e Banco do Brasil ON perderam 2,50% e 2,53%, respectivamente. Os papéis da Petrobras recuaram 1,36% (ON) e 2,23% (PN). Exceção ficou com as empresas exportadoras da carteira teórica, que se beneficiam da alta do dólar, como Vale, Fibria, Klabin e Braskem.
Juros sobem, mesmo com indicadores positivos
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 subiu de 8,41% no ajuste de quarta para 8,57% e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 9,76%, de 9,56% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 11,37%, de 11,21%. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou a 12,11%, de 11,96%. A agenda trouxe indicadores econômicos positivos, mas nem por isso o mercado se animou. O IPCA-15 de agosto subiu 0,13%. Já a arrecadação somou R$ 129,615 bilhões em julho, um aumento real (já descontada a inflação) de 12,83% na comparação com o mesmo mês de 2017. Esse foi o oitavo mês consecutivo de crescimento real nas receitas em relação ao ano passado e o melhor julho desde 2011. O número superou a mais otimista das previsões dos economistas, de R$ 128 bilhões.


