Agência Estado
De São Paulo
A forte queda do dólar ontem chegou a surpreender alguns operadores. A moeda norte-americana fechou em baixa de 1,22%, cotada a R$ 1,9500. As medidas adotadas pelo Banco Central na sexta-feira (eliminação do limite de posições vendidas e redução das reservas líquidas) e na quinta-feira (venda de dólares no mercado) levaram as instituições a aumentar suas posições vendidas, elevando a oferta de dólares no mercado.
No finalzinho da tarde, o BC ainda teria consultado algumas mesas de câmbio, pedindo spread. Nesse momento, o dólar chegou a cair 1,37% em relação ao fechamento da véspera, atingindo a cotação mínima do dia, de R$ 1,9470. Logo em seguida, porém, voltou para R$ 1,9500. Operadores afirmam que o BC não teria vendido dólares, mas apenas ‘‘mostrado a sua cara no mercado’’.
Operadores acreditam que o BC, com essa atitude de ontem à tarde, atingiu três objetivos: 1) aproveitando a pequena liquidez nos negócios, ajudou a manter o dólar em baixa; 2) mostrou que pode atuar quando o dólar estiver em outra cotação que não apenas a de R$ 2,00; 3) ao ‘‘mostrar sua cara’’ na véspera do vencimento de câmbio futuro, o BC contou com a ajuda dos ‘vendidos’ para derrubar o dólar.
Com suas ações nos últimos três dias úteis de outubro, o BC conseguiu virar o jogo e encerrar de forma positiva ‘‘o mês mais desfavorável do ano em relação ao fluxo cambial’’. Para quem esperava que o dólar fechasse outubro na casa dos R$ 2,00 (os comprados no câmbio futuro da BM&F, por exemplo), o dólar em R$ 1,95 representa uma diferença considerável de 2,5 pontos percentuais.
Mas se por um lado o mercado aplaudiu as ações do BC, por outro lado considera o câmbio não poderá continuar represado apenas por causa das intervenções. Será preciso: 1) que a economia reaja e que mais dólares entrem no País para que o câmbio se reequilibre; 2) que não surjam supresas desagradáveis no cenário externo. Caso contrário, continuará pairando a ameaça de que o dólar a R$ 2,00 vai comprometer as metas de inflação acertadas com o FMI.
O mercado de renda fixa terminou a semana projetando juros estáveis para o mês de novembro. De dezembro em diante, as taxas projetadas estão mais baixas em comparação ao fechamento de ontem, mas continuam seguindo uma curva de alta em relação a outubro e novembro. A queda dos juros futuros, em relação às projeções anteriores, ganhou o reforço das atuações e decisões do Banco Central no câmbio, desde quarta-feira. Ontem, novamente, o BC pediu spread para algumas mesas de operação de câmbio de instituições financeiras, o que, num dia de baixa liquidez, favoreceu uma queda maior do dólar (-1,22%). Os juros são beneficiados com isso, já que o maior temor que ronda as mesas de renda fixa é o tempo em que o dólar se mantém em níveis elevados, com riscos sérios de contaminação dos índices de inflação. Os juros, pela política de inflation targeting, só podem manter a trajetória de queda se a inflação estiver sob controle.
Por falta de um fluxo mais vigoroso, a Bovespa não conseguiu acompanhar a nova escalada do Dow Jones. O índice da carteira teórica paulista fechou estável e o mercado girou R$ 619 milhões, um volume até considerável para uma sexta-feira pré-feriado. A presença de estrangeiros é tímida e os investidores domésticos estão bastante comprados.

mockup