Dólar supera R$ 4 com busca por proteção diante das turbulências políticas
Taxa de câmbio deve se manter em alta no curto prazo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de maio de 2019
Taxa de câmbio deve se manter em alta no curto prazo
Agência Estado 
Depois de sucessivos ensaios nos últimos dias, o dólar rompeu definitivamente o teto dos R$ 4 na sessão desta quinta-feira (16) em meio ao fortalecimento global da moeda americana e, sobretudo, a busca por proteção diante da deterioração contínua do capital político do presidente Jair Bolsonaro. Com mínima de R$ 3,9947 e máxima de R$ 4,0416, o dólar à vista fechou em alta de 0,98%, a R$ 4,0357, o maior valor de fechamento desde 28 de setembro do ano passado. E as perspectivas de operadores e analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, são de que a taxa de câmbio se mantenha acima de R$ 4 no curto prazo.
Índice Bovespa atinge o menor nível em 2019
Em mais um dia de queda gerada por fatores domésticos, o Índice Bovespa atingiu seu menor nível em 2019 nesta quinta. Mesmo sem notícias de relevo no campo político, o mercado manteve o desconforto da véspera e teve um pregão com momentos de estresse, principalmente no meio da tarde, quando o movimento vendedor ganhou maior força. Ao final dos negócios, o índice marcou 90.024,47 pontos, com queda de 1,75%. Os negócios somaram R$ 16,7 bilhões, o maior em mais de um mês. A percepção corrente no mercado é que o governo enfrenta um processo de desgaste, mas não reage adequadamente diante do quadro adverso.
Juros futuros fecham sessão regular em alta
Inseridos no contexto de piora generalizada dos mercados domésticos à tarde, os juros ampliaram a alta que já predominava desde manhã e renovaram máximas na reta final da sessão regular desta quinta-feira. O dólar renovou máximas e levou os juros a buscarem novos patamares nos principais vencimentos. De todo modo, as taxas longas encerraram a sessão regular com avanço de cerca de 10 pontos-base. A taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2020 subiu de 6,395% para 6,4360% e a do DI para janeiro de 2021, em 6,92%, de 6,841%. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 8,12% (máxima), de 8,002%, e a do DI para janeiro de 2025 fechou a 8,72%, ante 8,61%.
Cenário político reduzi confiança do mercado em relação à reforma da Previdência
Nos últimos dias, a sequência de eventos negativos para o governo reduziu a expectativa do mercado em relação à aprovação da reforma da Previdência ainda este ano e de um texto com uma potência fiscal acima de R$ 700 bilhões para ter efeito nas contas públicas. "É a sequência de eventos negativos para o governo, como os protestos, a forma desastrada com que estão lidando com isso, entre outros assuntos, o que tem abalando a confiança do mercado", disse o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi. As agências de classificação de risco, por sua vez, já vão alertando sobre a urgência das reformas e demonstrando preocupação com a fraqueza da economia.


