Dólar supera R$ 2. BC descarta intervenção
Agência Estado
De São Paulo
Sete meses e meio depois do dia 4 de março passado, o dólar voltou a fechar cotado acima de R$ 2,00 ontem. O Banco Central não interveio no mercado de câmbio, mas o diretor Daniel Gleizer deu o seu recado em Brasília. Segundo ele, a oscilação do dólar está dentro do esperado. E mais: a alta do dólar não gera motivos para o BC mudar a política monetária à medida que, de acordo com Gleizer, a volatilidade do mercado não afetará a inflação no longo prazo.
Gleizer atribui a alta do dólar ao mesmo motivo apontado pelos operadores do mercado de câmbio: a forte concentração de vencimentos de compromissos externos neste mês. Segundo operador ouvido pela Agência Estado, o volume desses compromissos estaria na casa dos US$ 4 bilhões em outubro. No encerramento dos negócios de ontem, o dólar foi negociado em alta de 0,20%, a R$ 2,0020. A cotação máxima do dia alcançou R$ 2,0040 no período da tarde.
A moeda norte-americana já abriu em forte alta na manhã de ontem, dando sequência à tendência dos negócios na tarde anterior. Segundo operadores, muitos traders entraram comprando dólares logo na abertura do mercado na expectativa de que o índice de preços ao consumidor dos EUA, que seria divulgado na metade da manhã, indicaria uma pressão inflacionária acima das previsões.
Além disso, comentam operadores, quando traders têm a avaliação de que haverá saída de dólares no decorrer do dia, a procura pela moeda norte-americana aumenta. Como o mercado está seco de moeda, os preços sobem rapidamente e quem precisa comprar acaba pagando um preço mais alto, explicou um operador. Ainda no período da manhã, a divulgação do índice norte-americano, de 0,4%, acabou surpreendendo de forma positiva. Ficou abaixo das previsões mais catastróficas, disse um operador.
À tarde, no entanto, o dólar voltou a subir e, assim como havia acontecido na primeira hora da manhã, ultrapassou a barreira dos R$ 2,00. O fluxo cambial, ainda negativo, manteve o dólar pressionado. Ainda ajudaram a pressionar as cotações, de acordo com operadores, comentários de que a segunda prévia do IGP-M, a ser divulgada no final da tarde, ficaria acima das expectativas. Mais uma vez, porém, a inflação ficou relativamente comportada e o IGP-M de 1,19% era previsto.
A grande dúvida fica para o comportamento do dólar hoje. É certo que fatores como eleições na Argentina, bug do milênio, perspectiva de elevação de juros nos EUA e fluxo cambial negativo vão manter o dólar pressionado. O que não se sabe exatamente é qual será o efeito psicológico no mercado e na economia real de um dólar valendo dois reais.





