O mercado de câmbio brasileiro refletiu ontem a instabilidade econômica argentina. O dólar comercial fechou o dia comercializado a R$ 1,686, o maior valor desde o último dia 4. A alta, em relação a anteontem, foi de 1,02% - a maior desde 20 de abril, quando subiu 2,97%.
A moeda norte-americana chegou a ser cotada, na venda, em R$ 1,699. O Banco Central (BC) interveio, vendendo dólares para pressionar a queda da moeda. Segundo operadores de câmbio, a manobra do BC não visava fixar um teto para o dólar, mas sim funcionar como um ‘‘amortecedor , evitando uma grande oscilação cambial de um dia para o outro. O Ptax (preço médio do dólar, medido pelo BC em um determinado dia) também fechou em alta, de 1,19%.
A preocupação tinha nome: Argentina. Apesar de o governo local ter desmentido os boatos de que o peso (moeda local) poderia perder paridade com o dólar, o mercado brasileiro agiu defensivamente. Como a Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, a possibilidade da desvalorização da moeda vizinha teria influência na balança comercial local. O câmbio sentiu com mais intensidade o ‘‘efeito Argentina’’, mas esse afetou outros setores.
Os C-Bonds, títulos brasileiros mais comercializados no exterior, voltaram a cair ontem, sendo cotados a 64,5% de seu valor de face, um recuo de 0,78% em relação a anteontem. O deságio dos títulos é proporcional à credibilidade depositada no Brasil: quanto maior a diferença, menor a confiança de que o governo irá honrar seus compromissos na hora do vencimento. Apesar do novo recuo, os C-Bonds caíram menos do que anteontem, quando foi registrada uma baixa de 2,71%.

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