Dólar sofre a maior alta do ano em um dia: 2,9%
O dia ontem foi negativo para o mercado financeiro. O dólar comercial prosseguiu a trajetória de alta iniciada na sexta-feira. Com a liquidez estreita por causa do feriado nos Estados Unidos, a forte procura por hedge devido à piora de expectativas com a Argentina e à ausência do Banco Central no mercado de câmbio, a moeda norte-americana contabilizou a maior alta num só dia este ano, de 2,98%, ao fechar na máxima de R$ 2,4220. Este preço também é o mais elevado desde 20 de junho, data do último aumento da taxa Selic para 18,25% ao ano e véspera do anúncio da nova postura do BC no câmbio. Desde então, o BC fez quatro atuações no mercado à vista e, em três delas vendeu US$ 880 milhões.
O aumento do risco país da Argentina para 1.094 pontos base ontem voltou a amedrontar os investidores, porque reavivou a possibilidade de eventual calote da dívida e também pela consequente retração do fluxo de investimentos estrangeiros.
Ontem, os governadores da oposição da Argentina deram um ultimato ao presidente Fernando de la Rúa para que deposite US$ 330 milhões até a próxima sexta-feira nas contas provinciais. Segundo os governadores, esta é a cifra mínima e indispensável para atender os compromissos mais urgentes.
O mercado de juros está se preparando para uma eventual alta da Selic (hoje em 18,25%) a qualquer momento. Todos os ativos incorporaram essa aposta ontem, levando os juros futuros a dispararem na BM&F. O Índice Bovespa teve apenas quatro ações em alta no horário do fechamento desta quarta-feira. O movimento financeiro na bolsa paulista ficou em míseros R$ 420 milhões. No encerramento, o Ibovespa registrou baixa de 2,06%. (Silvana Rocha, Marisa Castellani e Mario Rocha)





