Dólar sobe quase 2% e fecha em R$ 2,965
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
Denyse Godoy<br> Agência Folha 
São Paulo Após um dia de grande volatilidade e poucos negócios, o dólar comercial fechou ontem em alta de 1,85%, vendido a R$ 2,965, e se aproximou novamente de R$ 3. Assim, a moeda norte-americana interrompeu uma sequência de quatro quedas consecutivas e voltou ao patamar do início da semana.
Boas notícias como a acentuada queda do risco-país, o aumento do saldo da balança comercial e a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o governo não pretende intervir no câmbio reforçaram o cenário otimista das últimas semanas.
Mas o preço baixo do dólar atraiu as tesourarias de bancos, que aproveitaram para comprar e reforçar o caixa. Analistas afirmam que, devido ao baixo volume de transações, operações de rotina que são um pouco maiores acabam por pressionar as cotações para cima.
Pela manhã, durante inauguração de usina termelétrica em Sertãozinho (335 km de São Paulo), Lula disse que ''não vai meter o dedo no dólar'' e que não há valor do dólar que seja ''simpático'' ao presidente, pois o compromisso do governo é com o câmbio flutuante. Logo depois o ministro Antonio Palocci (Fazenda) reforçou a declaração, explicando que ''o governo não opera política cambial para definir valor de câmbio''.
O risco Brasil recuou para o menor nível em um ano, com 778 pontos e queda de 4,65%. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, tem elevação de 0,71%, a 89% do valor de face. Esses são sinais do aumento da confiança dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil, e sinalizam que as empresas nacionais podem captar recursos lá fora a custos menores.
Outra boa notícia é o saldo positivo da balança comercial, que chega a US$ 5,474 bilhões no ano. A perspectiva de que as companhias consigam mais empréstimos faz analistas preverem que o dólar oscile na faixa dos R$ 2,90 no curto prazo, enquanto os investidores aguardam notícias sobre a tramitação das reformas tributária e da Previdência no Congresso.
O dólar futuro (junho) voltou a romper a barreira dos R$ 3 e terminou o dia a R$ 3,025, com elevação de 1,88%, bem como o turismo, que subiu 1,34%, para R$ 3,020. A cotação mínima do dólar comercial ontem foi R$ 2,898 e a máxima, R$ 2,970.


