Dólar sobe pelo quarto dia consecutivo: custa R$ 3,20
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quarta-feira, 14 de agosto de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O dólar fechou em alta ontem pelo quarto pregão consecutivo. A moeda norte-americana teve valorização de 1,1% e encerrou o dia valendo R$ 3,205. Desde sexta-feira a alta acumulada é de 6,13%.
As alterações na marcação a mercado dos fundos cambiais e a elevação dos depósitos compulsórios dos bancos para depósitos em poupança, à vista e a prazo foram anunciadas na noite de anteontem, com o pregão fechado. Com menos dinheiro disponível, teoricamente, diminuiu o poder de fogo dos bancos para especular com a cotação da moeda dos Estados Unidos.
A Bovespa fechou em baixa pelo quarto pregão consecutivo, com o Ibovespa em queda de 1,07% aos 9.343 pontos. Com o resultado, a Bovespa acumula perdas de 9,4% nesses quatros dias de queda.
Vencem hoje US$ 2,5 bilhões em títulos cambiais (contratos cujo valor é atrelado ao dólar) que o Banco Central terá que pagar caso não consiga rolá-los (trocá-los por títulos de prazo mais longo). Após quatro tentativas nesta semana, ainda faltam US$ 965 milhões para rolar. As instituições que têm esses títulos em mãos forçam a alta, comprando dólares e diminuindo a oferta, já que assim serão melhor remuneradas. O valor que os investidores receberão dependerá do valor da Ptax (cotação média compilada pelo BC entre diferentes instituições no fim do dia) de hoje.
Mais uma vez houve rumores no mercado de que o Banco Central teria comprado C-Bonds, títulos da dívida externa brasileira. Os papéis encerraram o dia valorizados em 3,14%. O risco-país, calculado pelo banco JP Morgan, fechou em baixa de 5,15%, em 2.159 pontos.
Analistas destacam que, apesar de oscilar forte, entre uma queda de 0,85% e uma alta de 1,89%, rapidamente o dólar voltava aos R$ 3,20, que parecia ser a cotação mais adequada aos interesses dos investidores.
O mercado classificou como positiva a informação de que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai liberar, na próxima semana, cerca de US$ 1 bilhão para financiar as exportações.
''Mas (o dólar) irá reagir de fato apenas quando esse dinheiro realmente entrar no mercado'', avalia Wilson Ramião, economista do banco do Lloyds TSB.


