São Paulo - O dólar subiu 0,5% ontem,, cotado a R$ 2,425, fechando em alta pela sexta vez seguida. A decepção do mercado com os resultados da balança comercial, que acumula um superávit de apenas US$ 58 milhões neste mês, levou as tesourarias de bancos às compras, num dia em que o fluxo de recursos foi negativo.
Para alguns analistas, a recente valorização do câmbio, de 4,71% no ano, é uma mudança das cotações para um nível mais condizente com a necessidade de o País obter um superávit comercial expressivo neste ano. A alta do dólar em janeiro seria também uma correção do otimismo exagerado que vigorou no fim de 2001.
O ex-secretário de Política Monetária do Banco Central (BC) e diretor-superintendente do HSBC Investment Bank, Luís Eduardo de Assis, lembra que a reversão do pessimismo do mercado – que atingiu o ápice em setembro de 2001 – ocorreu por causa da percepção de que, com um dólar mais caro, o saldo comercial em 2002 poderia ficar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões. Essa perspectiva, aliada à reabertura do mercado internacional de capitais a emissões de empresas brasileiras, fez o dólar recuar de R$ 2,84 para R$ 2,30 em dois meses. Assis nota, porém, que a queda das cotações para esse nível começou a criar dúvidas quanto à possibilidade de o País obter um superávit comercial expressivo, o que estimula paradoxalmente uma nova depreciação do câmbio.

mockup