O dólar voltou a fechar em alta ontem no Brasil. A moeda norte-americana terminou o dia cotada a R$ 2,722, valorização de 0,55% sobre o real. Os operadores das mesas de câmbio disseram que os investidores estão sedentos por hedge (proteção), mas de curto prazo. Isso porque o anúncio na segunda-feira à noite da queda de 14% na arrecadação argentina em setembro fez ressuscitar os boatos sobre possível saída do ministro de economia argentino, Domingo Cavallo, após as eleições parlamentares do próximo dia 14, e também de que o governo argentino poderá anunciar um default (calote da dívida) iminente (leia ao lado).
O risco Brasil foi contagiado e subiu para 1.210 pontos base, ante 1.206 pontos base do encerramento de anteontem. No mercado à vista de câmbio, o comercial oscilou 0,63%, entre a mínima de R$ 2,72 e a máxima de R$ 2,737.Fechou, ao final do dia, a R$ 2,722.
A Argentina esteve ontem em primeiríssimo lugar nas preocupações do mercado financeiro. Os juros futuros subiram mais uma vez, acompanhando o dólar e o desempenho ruim da bolsa (queda de 1,13%).
Na percepção de que o quadro argentino desfavorece muito o Brasil, ameaçado de rebaixamento nos seus ratings, o mercado doméstico tremeu. A agência S&P teve uma avaliação negativa para o Brasil, colocando-o como um dos três países de maior vulnerabilidade externa da América Latina, ao lado da Costa Rica e do Panamá. A S&P estima em cerca de US$ 80 bilhões o volume de recursos necessários para o Brasil fechar as suas contas externas em 2002 (sendo que os investimentos estrangeiros ficariam entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões). Diante dessa estimativa, analistas avaliam que a S&P deve rebaixar o risco soberano do Brasil no curto prazo.

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